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Sexto dia de meditação do mês de Maria

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Maria não pode deixar de amar-nos

Se, pois, Maria é nossa Mãe, consideremos quanto ela nos ama. O amor dos pais para com os filhos é um amor necessário. E esta é a razão, adverte S. Tomás, porque, pondo a divina lei preceito expresso aos pais de amarem os filhos. Pois o amor aos próprios filhos é amor com tanta força imposto pela mesma natureza, que as mesmas feras mais cruéis, como disse S. Ambrósio, não podem deixar de amá-los.

Contam os naturalistas que até o tigre, ouvindo a voz dos filhos capturados pelos caçadores, se lança ao mar e vai nadando até ao navio em que os levam. Se, pois, diz nossa Mãe terníssima, nem os próprios tigres se esquecem de sua prole, como poderei eu esquecer-me de meus filhos?” Pode acaso uma mulher esquecer sua criança de braço, de sorte que não tenha compaixão do filho de suas entranhas? Mas se ela a esquecer, eu todavia não me esquecerei de ti” (Is 49, 15). E se em algum tempo, continua a Virgem, por impossível se desse o caso de uma mãe se esquecer de um filho, não é possível que eu cesse de amar uma alma, de quem sou Mãe.

Maria é nossa Mãe, não carnal, mas de amor. Eu sou a Mãe do belo amor (Eclo 24, 24). Tão somente o amor que nos tem é que a faz ser nossa Mãe. Por isso a Virgem ufana-se, diz certo autor, de ser Mãe do belo amor, porque é toda caridade para conosco, por ela aceitos como filhos. E quem poderá algum dia descrever o amor que consagra a nós, miseráveis? Haroldo de Chartes diz que a Virgem, na morte de Jesus, ardentemente desejava imolar-se com o Filho por nosso amor. Ao mesmo tempo que o Filho agonizava na cruz, ajunta por isso S. Ambrósio, a Mãe se oferecia aos algozes para dar a vida por nós.

ORAÇÃO

Ó doce Soberana, vós, conforme a expressão de S. Boaventura, arrebatais os corações dos que vos servem, cumulando-os de vossa ternura e liberalidade. Eu vos suplico: arrebatai-me também o meu pobre coração que muito deseja amar-vos. Pela vossa beleza, ó Mãe, atraístes o vosso Deus, ao ponto de fazê-lo descer do céu à terra; e eu viverei sem vos amar? Não; antes vos digo com vosso amante filho João Berchmans: “Não me darei repouso, enquanto não tiver obtido amor terno e constante a vós, ó minha Mãe”, que com tanta ternura me tendes amado, ainda quando eu não vos amava. E que seria de mim, se vós, ó Maria, não me tivésseis amado e alcançado tantas misericórdias? Se, pois, me amastes quando eu não amava, que devo esperar da vossa bondade agora que vos amo? Sim, amo-vos, ó minha Mãe, e quisera ter um coração capaz de vos amar por todos os infelizes que não vos amam. Quisera ter uma língua capaz de louvar-vos por mil línguas, para fazer conhecer a todo mundo a vossa grandeza, a vossa santidade, a vossa misericórdia, e o amor com que amais os que vos amam. Se tivera riquezas, todas quisera empregar em vos honrar; se tivera súditos, todos quisera fossem cheios de amor para convosco; quisera enfim sacrificar pelo vosso amor e glória, se fosse mister, até a minha vida! – Amo-vos, pois, ó minha Mãe; mas ao mesmo tempo receio que vos não ame, porque ouço dizer que o amor faz os que amam semelhantes à pessoa amada. Devo então crer que bem pouco vos amo, vendo-me tão longe de parecer convosco. Vós sois tão pura, e eu tão imundo! Vós tão humilde, eu tão soberbo! Vós tão santa, eu tão mau! Mas isto, ó Maria, é o que vós haveis de fazer: já que me tendes tanto amor, tornai-me semelhante a vós. Para mudar os corações, tendes todo o poder; tomai, pois, o meu e mudai-o. Conheça o mundo o que podeis em favor dos que amais. Tornai-me santo e fazei-me digno filho vosso. Assim espero, assim seja.

Trecho da meditação é retirada do livro “Glórias de Maria”, de Santo Afonso de Ligório.

Capítulo I, explicação da Salve Rainha – As abundantes e numerosas graças dispensadas pela Mãe de Deus aos que a servem devotamente.

Quinto dia de meditação do mês de Maria

a formação da moça católica 05 de maio.

 

Maria é Mãe muito solícita e desvelada

“Eu sou a Mãe do belo amor” – diz Maria (Eclo 24, 24). O amor de Maria, observa certo autor, embeleza nossas almas aos olhos de Deus e leva essa amorosa Mãe a nos ter por filhos. Onde está a Mãe, pergunta S. Boaventura, que ame seus filhos e vele sobre eles como vós, dulcíssima Rainha, nos amais e cuidais de nosso adiantamento espiritual?

Bem-aventurados aqueles que vivem debaixo da proteção de uma Mãe tão amante e tão poderosa! Já antes do nascimento de Maria, procurava o profeta Daniel obter de Deus a salvação, confessando-se filho de Maria com as palavras: “Salva o filho da tua serva” (Sl 85, 16). Mas de que serva? Daquela que disse: Eis aqui a serva do Senhor – assim pergunta e responde S. Agostinho. E quem jamais ousará, diz o Cardeal S. Roberto Belarmino, ¹ tirar estes filhos do seio de Maria, depois que a ele se tiverem acolhido em busca de salvação contra os inimigos? Que fúria do inferno ou das paixões poderá vencê-los, se puserem esta confiança no patrocínio desta grande Mãe?

Conta-se que a baleia guarda na boca os filhos, quando os vê ameaçados pela tempestade ou pelos caçadores.² E que faz nossa boa Mãe, quando vê seus filhos em perigo no meio da tempestade da tentação? Esconde-os amorosamente como dentro de suas próprias entranhas, escreve Novarino, e ali os guarda até que os coloca no seguro porto do paraíso. Ó Mãe amantíssima, ó Mãe piedosíssima, bendita sejais e bendito seja para sempre aquele Deus que vos deu a nós todos por Mãe e refúgio seguro em todos os perigos desta vida! Revelou esta mesma Virgem a S. Brígida que uma mãe, se visse seu filho entre as espadas dos inimigos, faria todo o esforço para salvá-lo. Assim, disse, faço e farei eu com os meus filhos, por maiores pecadores que sejam, sempre que a mim recorrerem.

Eis aqui como em todas as batalhas com o inferno seremos sempre vencedores seguramente, se recorrermos à Mãe de Deus, e nossa, dizendo e repetindo: Sob a tua proteção nos refugiamos, ó Santa Mãe de Deus! Oh! Quantas vitórias têm os fiéis alcançado do inferno com o recorrerem a Maria por meio desta breve, mas poderosíssima oração! Aquela grande serva de Deus, sóror Maria Crucifixa, religiosa beneditina, assim vencia sempre o demônio.

Alegrai-vos, portanto, todos os que sois filhos de Maria, sabei que ela aceita por filhos seus quantos o querem ser. Exultai! Como temer por vossa salvação, tendo esta Mãe que vos defende e protege? Todo aquele que ama essa boa Mãe e em seu patrocínio confia, afirma S. Boaventura, deve reanimar-se e dizer: Que temes, minha alma? Não; não temas, porque a tua causa não se perderá. Pois a sentença está na mão de Jesus, que é teu irmão, e na de Maria, que é tua Mãe! A este mesmo respeito exclama cheio de alegria e nos anima S. Anselmo: Ó bem-aventurada confiança, ó seguro refúgio! A Mãe de Deus é minha Mãe! Que certeza tem a nossa esperança, já que nossa salvação depende da sentença de um irmão tão bom, e de uma tão compassiva Mãe! – Eis aqui pois a nossa Mãe que nos chama e diz: Quem for pequeno venha a mim (Sb 9, 4). As crianças têm sempre na boca o nome da mãe. Em qualquer perigo que se vejam, ou medo que tenham, logo se lhes ouve gritar: mamãe, mamãe! Ah! Mãe dulcíssima, ah! Maria amorosíssima, isto é justamente o que desejais de nós. Quereis que nos tornemos crianças e chamemos sempre por vós em todos os perigos. Pois é vossa vontade socorrer e salvar-nos, como já o tendes feito a todos os vossos filhos, que recorreram a vós.

——–

  1. Canonizado e declarado Doutor da Igreja, em 1932, por Pio XI.
  2. É conhecido o apego da baleia à sua prole. À vista de algum temporal fá-la fugir ou a esconde debaixo de uma barbatana. Daí a comparação de Santo Afonso.

 

EXEMPLO

A História das fundações da Companhia de Jesus no reino de Nápoles conta-nos de um jovem fidalgo escocês, chamado Guilherme Elfinstônio. Era ele parente do rei Jaime e protestante desde o nascimento. Mas, iluminado pela graça divina que lhe fez conhecer os erros de sua seita, foi à França e aí, ajudado de um bom Padre jesuíta, também escocês,e mais com a intercessão da bem-aventurada Virgem, reconheceu a verdade e fez-se católico. Passou-se depois a Roma, onde mais ainda se afervorou na devoção à Mãe de Deus, escolhendo-a por sua única Mãe. Inspirou-lhe a Virgem a resolução de ser religioso, de que fez voto. Mas, achando-se doente; veio a Nápoles a fim de recuperar a saúde com a mudança dos ares. Em Nápoles, porém, quis o Senhor que ele morresse e morresse religioso. Pouco depois de sua chegada adoeceu gravemente, correndo perigo sua vida. À custa de muitas lágrimas e rogos obteve dos superiores a graça de ser recebido na Companhia. Pelo que na presença do Santíssimo Sacramento, quando recebeu o Viático, fez os votos, e foi declarado religioso da Companhia. Depois disto a todos enternecia com os fervorosos afetos, com que dava graças a Maria, sua amada Mãe, por tê-lo arrancado da heresia, e conduzido para morrer na casa de Deus entre seus irmãos religiosos. Por isso exclamava: Oh! Como é glorioso morrer no meio de tantos anjos! Exortaram-no a que procure repousar, e ele: Ah! Agora que já chega o fim da minha vida, não é tempo de repousar. Antes de expirar, disse aos assistentes: Irmãos, não vedes os anjos do céu que me assistem? E havendo um daqueles religiosos percebido que ele proferia entre os dentes algumas palavras, lhe perguntou o que dizia. Respondeu que o seu Anjo da Guarda lhe tinha revelado que pouco tempo havia de estar no purgatório, e que logo depois passaria para o paraíso. Recomeçou em seguida os colóquios com Maria, sua doce Mãe, repetindo: Minha Mãe, minha Mãe! E assim expirou placidamente, como uma criança que se entrega aos braços da mãe, para neles repousar. Pouco depois foi relevado a um devoto religioso, que ele já estava no paraíso.

ORAÇÃO

Como é possível, ó Maria, minha Mãe Santíssima, que, tendo uma Mãe tão santa, tenha eu sito tão mau? Uma Mãe que toda arde no amor para com Deus, e eu ame as criaturas? Uma Mãe tão rica de virtudes, e que delas seja eu tão pobre? Ó Mãe amabilíssima, já não mereço, é verdade, ser o vosso filho, porque de o ser me tenho feito indigno com as minhas culpas. Contento-me, pois, com que me aceiteis por vosso servo. Para ser o último de vossos servos, pronto estaria a renunciar a todos os reinos da terra. Sim, com este favor me contento. Entretanto, não me recuseis o de vos chamar também minha Mãe. Este nome consola-me, enternece-me, recorda-me o quanto sou obrigado a vos amar. Inspirai-me também grande confiança em vós. Quando a lembrança dos meus pecados e da justiça divina me enche de terror, sinto-me reanimado ao pensar que sois minha Mãe. Permiti que vos chame minha Mãe, minha Mãe amabilíssima. Assim vos chamo e assim quero sempre chamar-vos. Vós, depois de Deus, haveis de ser sempre a minha esperança, o meu refúgio e o meu amor neste vale de lágrimas. Assim espero morrer, entregando naquele último instante a minha alma nas vossas santas mãos, e dizendo: Minha Mãe, minha Mãe, ajudai-me, tende piedade de mim. Amém.

Trecho da meditação é retirada do livro “Glórias de Maria”, de Santo Afonso de Ligório.

Capítulo I, explicação da Salve Rainha – As abundantes e numerosas graças dispensadas pela Mãe de Deus aos que a servem devotamente.

Terceiro dia de meditação do mês de Maria

Com a Mãezinha do Céu

Maria é Rainha de Misericórdia até para os mais miseráveis

Podemos porventura temer que Maria desdenhe empenhar-se pelo pecador, por vê-lo tão carregado de pecados? Ou acaso nos devem intimidar a majestade e a santidade desta grande Rainha? Não, diz o Papa S. Gregório; porque quanto ela é mais excelsa e mais santa, tanto é mais doce e mais piedosa para com os pecadores, que se querem emendar e a ela recorrem. A majestade dos reis e das rainhas causa temor e faz com que os súditos temam chegar à presença deles. Mas onde estão, pergunta S. Bernardo, os infelizes que podem ter medo de apresentar-se a esta Rainha de Misericórdia? Nela nada há de terrível nem de severo. É toda benigna e amável para os que a procuram. Maria não só dá quanto lhe pedimos, mas ela mesma nos oferece a todos nós, leite e lã. Leite de misericórdia para animar-nos à confiança, e lã de refúgio para nos defender dos raios da justiça divina.

Narra Suetônio, do imperador Tito, que ele não sabia negar favor algum a quem lhe pedia. Acontecia-lhe às vezes prometer mais do que se podia esperar. Disto advertido, respondia que o príncipe não devia deixar ir descontente nenhum daqueles que admitisse à sua presença.

Tito assim dizia; porém muitas vezes ou mentia ou faltava à promessa. Nossa Rainha não pode, entretanto, mentir; pode sim alcançar quanto quiser para os seus devotos. Tão bom e compassivo lhe é o coração, que não deixa voltar de mãos vazias quem a invoca, observa Landspérgio. Mas como podereis vós, ó Maria, lhe diz S. Bernardo, deixar de socorrer os infelizes, se vós sois a Rainha de Misericórdia? E quem são os súditos da misericórdia, senão os miseráveis? Sois a Rainha da misericórdia e eu entre os pecadores sou o mais miserável. Logo, se eu, por ser o mais miserável, sou o maior dos vossos súditos, vós deveis ter mais cuidado de mim que de todos os outros.

Tende, pois, piedade de nós, ó Rainha de misericórdia, e cuidai em salvar-nos. Não digais, ó Virgem Santíssima, parece acrescentar S. Gregório de Nicomedia, que não vos é possível socorre-nos, por ser grande a multidão de nossos pecados. Pois não há número de culpas que possa exceder ao vosso poder e amor. Tão grandes são eles! Nada resiste ao vosso poder. Pois nosso comum Criador, honrando-vos como sua Mãe, estima como sua a vossa glória. Alegra-se o Filho com vossa glorificação e atende a vossos pedidos, como se estivera saldando uma dívida. Quer o Santo dizer: Maria deve uma obrigação infinita ao Filho por havê-la destinado para sua Mãe. Contudo não se pode negar que também o Filho é muito obrigado a esta Mãe, por lhe ter dado o ser humano. Por isso, estando agora na sua glória, como em recompensa do que deve a Maria, Jesus a honra, especialmente ouvindo sempre todos os seus rogos.

Quanta não deve ser, pois, a nossa confiança nesta Rainha, sabendo nós quanto é ela poderosa perante Deus e cheia de misericórdia para com os homens! Tão misericordiosa é Maria, que não há na terra criatura que deixe de participar-lhe dos favores e das bondades. Assim o revelou esta mesma Virgem amabilíssima a S. Brígida. Eu sou – lhe disse, – Rainha do céu e Mãe de Misericórdia: para os justos sou alegria e para os pecadores sou a porta por onde entram para Deus. Não há no mundo pecador tão perdido, que não participe de minha misericórdia: pois, por minha intercessão, todos são menos tentados do que, aliás, haviam de ser. Nenhum deles, continuou dizendo, a não ser o que de todo esteja repudiado por Deus (o que se deve entender da última e irrevogável sentença sobre os réprobos), nenhum deles é tão abandonado por Deus, que não consiga reconciliar-se com Ele e conseguir misericórdia, se implora a minha intercessão. Mão de Misericórdia me chamam todos. Em verdade, a misericórdia de Deus para com os homens me fez também tão misericordiosa para com eles. Infeliz, portanto, conclui a Virgem, infeliz será eternamente na outra vida, aquele que podendo nesta vida recorrer a mim, tão compassiva com todos, não me invoca e se perde!

Recorramos, pois, e recorramos sempre à proteção desta dulcíssima Rainha, se queremos seguramente salvar-nos. Espanta e desanima-nos a vista de nossos pecados? Lembremo-nos então de que Maria foi feita Rainha de Misericórdia, precisamente para com sua proteção salvar os maiores e mais abandonados pecadores que a ela se recomendam. Estes hão de ser a sua coroa no céu, como disse o seu divino Esposo: “Vem do Líbano, esposa minha, dos montes dos leopardos” (Ct 4,8). Quem são esses covis de feras e de monstros, serão os pecadores? Suas almas realmente transformam-se em antros de pecados que são os monstros mais disformes que se podem achar. Justamente destes miseráveis pecadores, salvos por vosso intermédio, ó grande Rainha, sereis coroada no paraíso, observa Roberto, abade. Pois a sua salvação, diz ele, será coroa vossa, coroa bem digna e própria da Rainha de Misericórdia.

A propósito do exposto aqui, leia-se o seguinte exemplo:

EXEMPLO

Lê-se na vida de sóror Catarina de S. Agostinho que havia, no lugar em que morava esta serva de Deus, uma mulher chamada Maria. A infeliz levara uma vida de pecados durante a mocidade. E já envelhecida, de tal forma se obstinara na sua perversidade, que fora expulsa pelos habitantes da cidade, e obrigada a viver numa gruta abandonada. Aí morreu finalmente, sem os sacramentos e sem a assistência de ninguém. Sepultaram-na no campo como um bruto qualquer. Sóror Catarina costumava recomendar a Deus com grande devoção as almas de todos os falecidos. Mas, ao saber da terrível morte da pobre velha, não cuidou de rezar por ela, pensando, como todos os outros, que já estivesse condenada. Eis que, passados quatro anos, em certo dia se lhe apresentou diante uma alma do purgatório, que lhe dizia: Sóror Catarina, que triste sorte é a minha! Tu encomendas a Deus as almas de todos os que morrem e só da minha alma não tens tido compaixão? – Mas quem és tu? – disse a serva de Deus. – Eu sou, – respondeu ela, – aquela pobre Maria, que morreu na gruta. – E como te salvaste? – replicou sóror Catarina. – Sim, eu me salvei por misericórdia da Virgem Maria. – E como? – Quando eu me vi próxima à morte, estando juntamente tão cheia de pecados e desamparada de todos, me voltei para a Mãe de Deus e lhe disse: Senhora, vós sois o refúgio dos desamparados. Aqui estou neste estado abandonada por todos. Vós sois minha única esperança, só vós me podeis valer: tende piedade de mim. Então a Santíssima Virgem obteve-me a graça de eu poder fazer um ato de contrição; depois morri e fui salva. Além disso, esta minha Rainha alcançou-me a graça de ser abreviada minha pena por sofrimentos mais intensos, porém menos demorados. Só necessito de algumas missas para me livrar mais depressa do purgatório. Rogo-te que as faças celebrar. Em troca prometo-te pedir sempre a Deus e à Santíssima Virgem por ti.

Sóror Catarina logo fez celebrar as missas. Depois de poucos dias lhe tornou a aparecer aquela alma mais resplandecente do que o Sol e lhe disse: Agora vou para o paraíso cantar as misericórdias do Senhor e rogar por ti.

Para rezar a oração de hoje clique aqui.

Trecho da meditação é retirada do livro “Glórias de Maria”, de Santo Afonso de Ligório.

Capítulo I, explicação da Salve Rainha – As abundantes e numerosas graças dispensadas pela Mãe de Deus aos que a servem devotamente.

Segundo dia de meditação do mês de Maria

974 August 22 Queenship of Mary

 

Maria é Rainha de Misericórdia

Maria é, pois, Rainha. Mas saibamos todos, para consolação nossa, que é uma Rainha cheia de doçura e de clemência, sempre inclinada a favorecer e fazer bem a nós pobres pecadores. Quer por isso a Igreja a saudemos nesta oração com o nome de Rainha de Misericórdia. O próprio nome de rainha, considera S. Alberto Magno ¹, denota piedade e providência para com os pobres, enquanto que o de imperatriz dá ares de severidade e rigor. A magnificência dos reis e das rainhas consiste em aliviar os desgraçados, diz Sêneca. Enquanto que os tiranos governam tendo em vista apenas seu interesse pessoal, devem os reis procurar o bem de seus vassalos. Por isso na sagração dos reis se lhes unge a testa com óleo. E o símbolo da misericórdia e benignidade de que devem estar animados para com seus súditos.

Devem, pois, os reis principalmente empregar-se nas obras de misericórdia, mas sem omitir, quando necessário, a justiça para com os réus. Não assim Maria. Bem que seja Rainha, não é rainha de justiça, zelosa do castigo dos malfeitores. É Rainha de Misericórdia, inclinada só à piedade e ao perdão dos pecadores. Por isso quer a Igreja que expressamente lhe chamemos Rainha de Misericórdia.

Eu ouvi – diz o Salmista – estas duas coisas: que o poder é de Deus e que é vossa a misericórdia (SL 61, 12,13). Considerando o afamado chanceler de Paris, João Gerson, as palavras de Davi, disse: Consistindo o reino de Deus na justiça e na misericórdia, o Senhor dividiu: o reinado da justiça reservou-o para si, e o reinado da misericórdia o cedeu a Maria. E ainda o Senhor ordenou que pelas mãos de Maria passariam, e ao seu arbítrio seriam conferidas todas as misericórdias dispensadas aos homens. Isto mesmo confirma um escritor no prefácio das Epístolas Canônicas, escrevendo: Quando a Santíssima Virgem concebeu o Divino Verbo e deu à luz, obteve metade do reino de Deus: tornou-se Rainha de Misericórdia e Jesus ficou sendo Rei da justiça.

O Eterno Pai constituiu Jesus Cristo Rei de justiça e fê-lo por conseguinte Juiz universal do mundo. Vem daí a exclamação do Salmista: Dai, ó Deus, ao rei a vossa equidade, e ao filho do rei vossa justiça (SL 71,2). Pelo que diz um douto intérprete: Senhor, destes a vosso Filho a justiça, porque à Mãe do rei entregastes a misericórdia. Aqui S. Boaventura tece belo comentário à citada passagem, dizendo: Dai, ó Deus, vosso juízo ao Rei e vossa misericórdia à sua Mãe. Ernesto, Arcebispo de Praga, também diz que o Eterno Pai deu ao Filho o ofício de julgar e punir, e à Mãe o ofício de socorrer e aliviar os miseráveis. Por isso profetizou o mesmo profeta Davi, que o próprio Deus (por assim dizer) consagrou Maria Rainha de misericórdia, ungindo-a com óleo da alegria. “Por isso te ungiu o teu Deus com o óleo da alegria” (SL 44,8). E isso para que todos nós, miseráveis filhos de Adão, nos alegrássemos, considerando que temos no céu esta Rainha toda cheia de unção, misericórdia e piedade para conosco, observa Conrado de Saxônia.

Muito bem aplica S. Alberto Magno a este propósito a história da rainha Ester, que foi figura de Maria, nossa Rainha. No cap. 4 do livro de Ester se lê que, reinando Assuero, saiu um decreto condenando á morte todos os judeus. Então Mardoqueu, que era um dos condenados á morte, recomendou a sua salvação a Ester. Pediu-lhe que interpusesse o seu valimento junto ao rei, a fim de que revogasse a sentença. Ao princípio Ester recusou fazer este favor, temendo irritar ainda mais Assuero. Repreendeu-a Mardoqueu, mandando-lhe dizer que não pensasse só em salvar-se a si, pois o Senhor a tinha posto sobre o trono para obter a salvação de todos os judeus. “Não te persuadas de que, por isso que estás na casa do rei, salvarás tu só a vida entre todos os judeus” (Est 4,13). Essas palavras de Mardoqueu a Ester, nós, pobres pecadores, podemos repeti-las a Maria, nossa Rainha, se ela em algum tempo se recusar alcançar-nos de Deus o perdão do castigo, de nós bem merecido. Não cuideis, Senhora, que Deus vos elevou a ser Rainha do mundo só para bem vosso. Se tão grande vos fez, é para que mais vos compadecêsseis, e melhor pudésseis socorrer nossas misérias.

Assuero, quando viu Ester na sua presença, lhe perguntou com agrado o que lhe vinha pedir: Qual é o teu pedido? Respondeu-lhe a rainha: Meu rei, se em algum tempo achei graça aos teus olhos, dá-me o meu povo, pelo qual te rogo (7,3). E Assuero a ouviu e atendeu, ordenando logo que se revogasse a sentença. Ora, se Assuero, por amor a Ester, lhe concedeu a salvação dos judeus, como poderá Deus, cujo amor por Maria é sem medida, deixar de ouvi-la quando pede pelos pobres pecadores, que a ela se recomendam? Se em algum tempo achei graça aos teus olhos, dá-me o meu povo – repete-lhe a Virgem Santíssima. Bem sabe a divina Mãe que é bendita e bem-aventurada, que é a única entre as criaturas que achou a graça perdida pelos homens. Bem sabe que é a predileta de seu Senhor, por ele querida acima de todos os anjos e Santos. Se me amais, Senhor, – diz-lhe então – dai-me estes pecadores pelos quais vos rogo. E é possível que o Senhor a deixe desatendida? Quem ignora o poder das preces de Maria junto de Deus? A lei da clemência está em sua língua, diz o Sábio (Pr 31,26). Toda súplica sua é como uma lei estabelecida pelo Senhor, para que se use de misericórdia com todos aqueles por quem Maria interceder. O autor dos Sermões sobre a Salve Rainha indaga por que motivo a Igreja intitula Maria Santíssima Rainha de Misericórdia. E responde: para que acreditemos que Maria abre o oceano imenso da misericórdia de Deus a quem quer, quando quer, e como quer. Pelo que não há pecador, nem o maior de todos, que se perca, se Maria o protege.

¹ Canonizado e declarado Doutor da Igreja, por Pio XI, em 1931.

Obs1.:A oração de hoje é a mesma do dia anterior!

Obs2.: Trecho retirado do livro Glórias de Maria, de Santo Afonso Maria de Ligório

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!

 

Oração a Nossa Senhora do Carmo

Senhora do Carmo, protegei-nos de todos os perigos e dai-nos a graça de termos uma boa morte. Que sob o vosso olhar e sob a vossa proteção possamos obter a misericórdia de Deus todos os dias de nossa vida. Querida Mãe, não nos deixeis abandonados ao nosso egoísmo, indiferença, ódio e rancor. Protegei as crianças, os jovens, os pais e as mães de família e os idosos. Fazei crescer em nossos corações o amor, especialmente pelos que mais precisam de nossa atenção e carinho. Amém!

Escapulário e imagem de Nossa Senhora do Carmo que ganhei de amigos queridos!

Escapulário e imagem de Nossa Senhora do Carmo que ganhei de amigos queridos!

O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo – A grande promessa de salvação

 

Vem chegando o dia de Nossa Senhora do Carmo e gostaria de indicar um livrinho que ensina a respeito desta piedosa devoção:

Clique aqui para baixar o livro.

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“O Santo Escapulário ou “bentinho” do Carmo constitui um grande meio de perseverança e salvação, posto ao nosso alcance pela misericórdia divina. Entretanto, muitas pessoas hoje em dia o usam como mero enfeite.

Tal uso poderá vir até a ser recompensado, mas não tem o mesmo valor de proteção constante contra os ataques do demônio, nem merece as grandes promessas a ele ligadas por Nossa Senhora. Como nota famoso missionário do século XIX, “usar o Escapulário só é uma prática mariana na medida em que piedosamente o fazemos”.

O objetivo deste livro é revelar a tantos que o usam sem o conhecer, ou que gostariam de saber melhor sua história, o verdadeiro tesouro que é o Santo Escapulário e os privilégios que encerra. Aqui o leitor encontrará tudo o que é necessário para tirar todo o proveito dessa prática piedosa. E sobretudo para dar glória a Nossa Senhora, que nos concedeu meio tão fácil e seguro de salvação e proteção contra os perigos do corpo e da alma.”

 

Trigésimo primeiro dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

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Consagração a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento

I. Ao finalizar esse belo mês que vos temos consagrado, ó Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, depois de termos meditado vossas grandezas e admirado a perfeição de vossas adorações e de vosso serviço eucarístico no Cenáculo, resta-nos consagrarmo-nos inteiramente a vós a fim de que vos digneis nos proteger e dirigir em nossa vocação adoradora.

Às vossas divinas mãos, confio, pois a direção de minha vocação e a graça de cumprir os sublimes deveres que ela me impõe.

Bela, por certo, é minha vocação de adorador, e entre todas as mais bela, pois que me estabelece para sempre no serviço da adorável Pessoa de Jesus Cristo em seu divino Sacramento.

É uma vocação privilegiada porque me dá direito de dirigir-me à sua divina Pessoa diretamente, sem intermediário. É bela e sublime, pois que compartilho das funções dos Anjos, e se ousasse dizer, até mesmo do serviço da Santíssima Virgem para com Jesus.

Esta divina vocação requer qualidades especiais, virtudes reais; exige uma pureza ao menos vulgar, e eu nada tenho, nada posso. Pelo contrário, só tenho defeitos e maus hábitos; estou cheio de amor próprio; não tenho humildade nem mansidão, nem espírito de mortificação; não sei orar nem meditar e tenho apenas uma piedade rotineira, alguns pobres pensamentos de virtude, mesquinhos e incompletos.

Ai de mim, Deus meu! Vós que deveríeis ter ao vosso serviço tudo quanto pode haver de maior, de mais perfeito e de mais santo, como pudestes escolher-me? A mim, fraco, pobre, criatura sem valor, repleta de misérias, assinalada ainda com as cicatrizes dos pecados passados, ainda toda desfigurada com a letra do homem velho que vive em mim?! Como me atreverei a aceitar essa honra, habitar com os Anjos, na mesma casa de vossa divina Mãe, permanecer em vossa companhia e em vossa soberana presença?

Ó Maria, minha celestial Rainha e divina Mãe, não posso aceitar esta graça, tornar-me o feliz servo de Jesus Eucaristia, se não consentirdes em me formar, educar-me, revestir-me de vosso espírito, virtudes e méritos; se não me quiserdes como vosso filho, vós que sois a Rainha e Mãe dos servos de Jesus, vós que só viveis para Jesus e que nos amais em Jesus e por Jesus.

Em vossas mãos entrego, pois, ó boa Mãe, a graça e a direção de minha vocação. A vós me entrego, apresentai-me a Jesus, e assim apresentado e formado por vós, ó boa Mãe, Jesus, meu bom Mestre, me acolherá benignamente e há de me amar em vós.

II. Se minha vocação é bela, grandes e sublimes são seus deveres. Devo passar minha vida na adoração aos pés do trono do Amor Encarnado, fazendo diante do trono eucarístico o mesmo que os Anjos e Santos fazem e eternamente hão de fazer no céu; louvar sua bondade infinita, bendizer sua misericórdia ilimitada, agradecer seu amor, dedicar-me à sua glória, imolar-me pelos pecadores, consumir-me pela extensão de seu reinado na terra.

Devo viver sempre com Jesus Sacramentado, como a Santíssima Virgem em Nazaré e no Cenáculo, e como os santos na glória do céu.

Não devo abandoná-LO para servir e seguir o próximo; minha missão é idêntica à de Madalena contemplativa, com a Rainha dos Apóstolos no Cenáculo, orando diante do Tabernáculo e convertendo o mundo por sua oração aos pés da Eucaristia; é a missão de Santa Tereza, de Santa Catarina de Sena e de outras almas santas que fazem um contínuo apostolado de oração e imolação.

Devo honrar de um modo especialíssimo a vida interior e oculta de Jesus no Santíssimo Sacramento; devo viver desconhecido dos homens, mesmo dos santos e piedosos; esquecido dos meus, desprezado pelo mundo, morto a tudo, para viver mais pura e livremente com Jesus, em Deus.

Mas, como poderei desempenhar sozinho tão sublimes deveres? Como me atreverei a aproximar-me de Jesus e servi-LO? Ai de mim, sozinho hei de me envergonhar. Oh! Minha boa Mãe, já que vos dignastes ser minha Mãe, permiti-me adorar convosco a Jesus, bendizê-LO com vossos louvores, suplicá-LO com vossas preces, servi-LO com vossas mãos, amá-LO com vosso coração, glorificá-LO com vossa santidade. Assim serei vosso discípulo, vosso filho, e ousarei dizê-LO? Uma pequenina Maria, uma outra vós mesma servindo a Jesus.

Ó boa Mãe, a vós contarei, simples e ingenuamente, minhas faltas. Repetir-vos-ei minha ignorância, minha pouca instrução e meus pequeninos sucessos; hei de ofertar-vos as modestas florinhas das virtudes que praticar e oferecereis tudo isto a Jesus, e eu me unirei a vós. Somente sob esta condição espero tornar-me um verdadeiro servo do Santíssimo Sacramento.

Meu Deus, eis aqui vosso humilde servo; faça-se em mim segundo vossa misericordiosa bondade e conforme vossa graça de amor.

Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, Mãe e Modelo dos adoradores, rogai por nós que recorremos a vós.

Para o encerramento do mês

Ó Mãe do Verbo Encarnado, Virgem Imaculada. Tabernáculo vivo da Eterna Sabedoria! Ó Nossa Senhora do Santíssimo Santíssimo Sacramento, escolho-vos neste dia e para sempre por minha Rainha e minha Mãe; coloco-me sob vossa especial proteção e sob vossa direção tão sábia e tão amável. Consagro-me por vós a Jesus no Santíssimo Sacramento, por este seu desejo e sua vontade, que nos cheguemos a Ele por vós, ó Maria.

Apego-me e uno-me a vós, porque preciso de vosso amor, de vosso auxílio, de vossos exemplos e de vossas graças; porque sei que quanto mais vos amar e vos for dedicado tanto mais amarei e servirei fielmente a Jesus; porque sois a Mãe e o Modelo dos adoradores e que só Vós me podeis formar no serviço real da Eucaristia, ensinar-me seu espírito, obter-me o amor e a perfeição.

Ó Maria! Ó Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, ó piedosíssima, ó dulcíssima, ó Imaculada Virgem! Dignai-vos apresentar-me a Vosso Filho Jesus, para que eu seja seu servo e seu perpétuo adorador, unicamente dedicado ao serviço de seus direitos e de sua Divina Pessoa, à glorificação de sua Real Presença e à exaltação de seu reino eucarístico. Apresentai-Lhe, eu vos peço, meu espírito e meu coração, minha alma e meu corpo, todo o meu ser enfim, para que de ora em diante não mais me pertença em coisa alguma, mas seja d’Ele por vós, no tempo e na eternidade.

ASSIM SEJA.

Obs.:Trecho extraído do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bem aventurado Pedro Julião Eymard. O mesmo pode ser baixado no blog alexandriacatolica.blogspot.com.br