Arquivo do mês: junho 2016

Mês do Coração de Jesus, meditação do vigésimo terceiro dia

dia 23

Prática em honra do Sagrado Coração de Jesus

Em cada momento da vida Deus nos distribui Suas graças, por causa dos merecimentos e do Sangue de Seu Filho, facilitando-nos a aquisição de imensos tesouros para a eternidade. Cumpre, porém, confessar que todos os dias temos, pela nossa negligência, perdas incompreensíveis. A maior parte de nossas ações perde seu valor por falta de intenção pura. Convém sair dessa letargia; e o melhor meio de tornar nossas ações o mais meritórias possível para nossa salvação e gloriosas para Deus, é servimo-nos da seguinte prática que Blozius nos ensina. Diz ele: “Consiste em oferecer vossas boas obras e todas as vossas ações ao Sagrado e dulcíssimo Coração de Jesus, a fim de que por ele sejam purificadas; pois tanto amor vos tem que está sempre pronto a aperfeiçoar do modo mais digno de Si o bem que em vós pôs.

Santa Margarida Maria em resposta a uma consulta, dava o mesmo conselho: “Visto que vos afligis no serviço de Deus, aconselho-vos o seguinte: Não vos perturbeis, basta unirdes-vos em tudo o que fizerdes ao Sagrado Coração de Jesus; no começo, para servir de disposição, e no fim para satisfação. Por exemplo, se não podeis ter na oração sentimentos devotos, contentai-vos em oferecer a que o divino Salvador faz por nós no Santíssimo Sacramento do altar, oferecendo seu fervor em reparação de toda a vossa tibieza, e dizei em cada uma de vossas ações: “Meu Deus, eu quero fazer ou sofrer isto em união com o Sagrado Coração de vosso divino Filho, e seguindo suas santas intenções, as quais vos ofereço para reparar tudo quanto de imperfeito e impuro têm as minhas”. Em uma palavra, este dulcíssimo Coração suprirá tudo o que puder faltar da vossa parte, pois Ele amará a Deus por vós, e vós amá-Lo-eis nEle e por Ele.

Um dia em que Santa Gertrudes orava e fazia esforços para desempenhar com atenção este santo exercício, mas que por fraqueza humana sofria muitas distrações, o que sobremaneira a afligia, pensava: “De semelhante oração, feita, com tantos desvios de espírito, que fruto se pode esperar? Então Jesus, apresentando-lhe Seu Coração, disse-lhe: “Eis Meu Coração, delícias da Santíssima Trindade. Eu to apresento para que supra o que te falta; recomenda-lhe com confiança todas as tuas ações, e ele as fará perfeitas a meus olhos: estará Meu Coração de hoje em diante sempre pronto a servir-te, e por ti suprirá a todos os instantes tuas negligências”.

Aproveite esta instrução; se amais, orais, trabalhais e sofreis, orai, trabalhai e sofrei em união com as aflições, trabalhos, orações e sofrimentos do Coração de Jesus.

Ainda mais: quando cometerdes alguma falta, depois de vos humilhardes, ide buscar no Coração de Jesus a virtude contrária à vossa má inclinação; a humildade, por exemplo, a caridade, resignação e paciência com os defeitos do próximo, e oferecei-as ao Pai Eterno em expiação de vossos defeitos. Meio curto e fácil é este de pagardes as vossas dívidas no mesmo instante em que as contraís e de adquirirdes imensos tesouros de merecimento”.

Prática

Era esta a prática habitual da venerável Margarida Maria. Dirigi-vos, como ela, simplesmente ao Coração de Jesus e dizei-lhe depois de vossas culpas: “Senhor, vedes o mal que acabo de praticar; pagai, se vos apraz, pela vossa pobre escrava”. À noite, entregai ao adorável Coração todas as ações do dia, a fim de que purifique Ele o que de imperfeito nelas houver.

Oração jaculatória

Eu durmo; vosso Coração, que vos dignais permitir que chame meu, vela por mim, sobre mim e em mim. Ego dorm o et cor meum vigilat (Cant. 5, 2).

3 vezes

Divino Coração de Jesus, tende piedade de nós!

Coração Imaculado de Maria, rogai por nós!

O livro pode ser baixado no blog alexandria católica.

Mês do Coração de Jesus, meditação do vigésimo segundo dia

dia 22

Queixa do Sagrado Coração de Jesus

Escutemos as queixas que se digna fazer-nos o Coração de Jesus, as quais são nova prova de Seu amor, pois Ele só se queixa porque ama; e nos ama unicamente para nossa felicidade, sem interesse algum da própria, que não diminui com a nossa salvação.

O que devo fazer por ti, oh! Povo cristãos, oh! Meu povo, que não tenha feito? Em que te contristei? Responde-Me. In quo contristavi te? Responde mihi. Distingui-te entre as nações que deixei sentadas nas trevas e à sombra da morte eterna, para fazer-te compartilhar o dom incomparável da verdadeira fé, e tu o deixaste sem fruto em tua alma indiferente. Eras uma bela vinha que plantei com Minhas Mãos e não produziste para Mim senão amargura, porquanto em Minha sede deste-Me vinagre para beber; e muita mais pela tua tibieza e ingratidão, que pelo ferro da lança, traspassastes o Coração de teu Salvador. Por ti derramei todo o Meu Sangue até a última gota; e que apreço lhe deste? Que proveito dele tiraste? Quae utilitas in sanguine meo? Chamei-te para Meu reino, e para a Minha herança; e tu Me deste caha por cetro, coroa de espinhos por diadema, pela inconstância de teu coração, pelo orgulho e fausto do teu proceder. Tomando tua natureza, elevei-te até a participação da Divindade; e tu Me suspendeste na Cruz pelas tuas culpas. Alimentei-te não com o maná que teus pais comeram, e que não os impediu de morrer, mas com o pão descido dos céus, que encerra em Si a vida eterna; e tu dilaceraste Meu Corpo Místico, chegando até a negar esse inefável benefício que faz a admiração dos Anjos. Oh, vós todos que passais pelo caminho da vida, considerai e vede se há dor igual à que sente Meu Coração por semelhante ingratidão! O vos omnes qui transitis per viam, attendite et videte si est dolor, sicut dolor meus.

O divino Salvador queixa-Se também à Sua fiel serva Margarida Maria, de modo não menos vivo, descobrindo-lhe Seu Coração: “Eis aqui o Coração que tanto amou aos homens, que nada poupou até exaurir-se e consumir-se para testemunhar-lhes seu amor. Entretanto, da maior parte deles não recebo senão ingratidões, pelas irreverências, sacrilégios, desprezo e tibieza que têm para Comigo no Sacramento de Meu Amor; e o que Me é ainda mais sensível, é serem corações que Me foram consagrados os que assim Me tratam”.

Mostrando-lhe em outra ocasião Seu Coração dilacerado e traspassado de golpes: “Eis as feridas que recebi de Meu povo escolhido; os outros contentaram-se em ferir-Me o corpo; estes, porém, atacam Meu Coração, este Coração que nunca cessou de amá-los”.

E não são as nossas almas ingratas? Não é de nós que Jesus Se queixa, nós alistados em Sua milícia pelo santo batismo, alimentados tantas vezes com Sua carne sacrossanta; nós talvez consagrados a Seu Coração em alguma confraria encarregada de reparar tantos ultrajes, e nós, todavia, tão frios, tão indiferentes para com este Divino Coração?

Ah! Com razão de sobra nos diz Jesus pelo Rei Profeta: “Se fosse um inimigo que assim me tratasse, eu o teria suportado; mas ser desprezado, desamparado de meus amigos, de meus filhos, daqueles que eu amo! Si inimicus maledixisset mihi, sustinuissem utique” (Sl 54, 23).

Prática

É na oração que aprendereis até que ponto chegou o excesso do amor de Jesus para convosco, e com que ingratidão lhe correspondestes. Este conhecimento produzirá o arrependimento e o amor, e vos decidirá a empreenderdes tudo por Jesus. Não passeis nunca um dia sem fazer quinze minutos de oração.

Oração jaculatória

Ó Coração de Jesus, mostrai ao mundo este prodígio, que um coração tão ingrato como o meu se abrase todo em Vosso amor.

 3 vezes

Divino Coração de Jesus, tende piedade de nós!

Coração Imaculado de Maria, rogai por nós!

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Mês do Coração de Jesus, meditação do vigésimo primeiro dia

dia 21

Ingratidão dos homens para com o divino Coração de Jesus

“Se feridas não recebe o Coração de Jesus, estranhas indignidades tem sofrido desde que instituiu o Sacramento de Seu amor. Pode-se imaginar coisa mais indigna do que os ultrajes que o judeu, o herege, o ateu lhe fazem suportar há tantos séculos, e até ao fim do mundo?” (Nouet).

Contudo, ainda mais deplorável é o procedimento dos que têm o nome de cristãos, e que ainda conservam algumas práticas do Cristianismo. Jesus habita entre os homens, digna-se descer-lhes ao coração; chega a dizer estas admiráveis palavras: “São minhas delícias estar com os filhos dos homens. Deliciae meae esse cum filiis hominum (Prov 8, 3).

Mas, Senhor, como Vos tratam esses ingratos? Dignais residir no meio deles que até vos recusam decente habitação. Ousam hospedar-vos sob teto de palha, ao passo que vivem em palácios. “Não vedes”, dizia com amargura de coração o Santo Rei Davi ao profeta Natã, “que enquanto eu habito em casa de cedro, a arca do Senhor meu Deus ainda está debaixo da tenda!” (2 Reis 7, 2). Oh Arca verdadeira do Novo Testamento, da qual a antiga não era mais que imperfeita figura! Oh Senhor! Oh Jesus! Quem hoje se incomoda e se aflige no seio de sua opulência com a lembrança de vossa desnudez nas Igrejas? Se ao menos à míngua de esplendor nos templos materiais, achásseis em nossos corações acolhimento submisso e respeitoso! Mas não! Dia e noite estais no santuário, esperando e chamando os homens, e dias, noites, semanas se passam sem que os vejais aparecer; ou se vos fazem certas visitas, somente os costumes, as conveniências os conduzem.

O corpo está em vossa presença, mas o coração bem longe está! No Sacramento vos achais sempre ocupado com eles, sempre em estado de vítima diante de vosso pai, oferecendo por eles vossas chagas; ao passo que em vossa presença pensam em tudo, menos em adorar-vos; conservam postura tão pouco respeitosa, que o próprio herege, que nega vossa presença real, os censura!

Na Comunhão da Missa Jesus se lhes oferece: “Eis aqui o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira os pecados do mundo”; vinde todos a Ele. O próprio Jesus os convida com estas admiráveis palavras: “Comei, amigos, e bebei; embriagai-vos com a torrente de minhas delícias, caríssimos meus; vinde, comei meu pão, bebei meu vinho, que vos preparei”. Todos, porém, fogem, como se não tivessem chagas a curar, nem máculas a apagar; respondem que têm outros convites a satisfazer e outros amigos a servir.

Céus! Tomai-vos de espanto à vista de tal prodígio de ingratidão! Obstupecite coeli super hoc! (Jer 11, 12).

Oh cristãos! Oh povo insensato e perverso! É este o reconhecimento que tributais a vosso Senhor e a vosso Deus? generatio prava et perversa, hoeccine reddins Domino popule stulte et insipiens? (Deut 32m 5-6).

Oh Jesus, tão terno, generoso, e cheio de amor para conosco, podíamos nós fazer chaga mais cruel em vosso coração? ah! Eu Vos ouço dizer: “Esperei que um daqueles a quem amo viesse compadecer-se da minha dor; mas não houve um só, ninguém se apresentou. Et sustinui qui simul contristaretur et non fuit, et qui consolaretur, et non inveni (Sl 68).

Prática

Não passeis um só dia sem vos recordar dos benefícios que recebestes de Deus: a criação, a conservação, o chamamento á verdadeira fé, a educação cristã, Sacramentos, graças particulares, etc.

Oração jaculatória

O que retribuirei ao Senhor por todos os bens de que me cumulou? Tomarei o Coração de Seu Divino Filho, e oferecerei; certo de que ficarei plenamente desobrigado. Quid retribuam Domino pro omnibus quoe retribuit mihi? (Sl 115, 3)

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Divino Coração de Jesus, tende piedade de nós!

Coração Imaculado de Maria, rogai por nós!

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Mês do Coração de Jesus, meditação do vigésimo dia

Sagrado Coração

As almas dedicadas ao Sagrado Coração de Jesus gostam de meditar Sua Paixão

As ardentes chamas que por nós consumiam o Coração de Jesus, as inenarráveis dores que O mergulhavam em um oceano de amargura, a sede imensa da salvação das almas que lhes teria prestado fé, e todos os outros prodígios do amor de um Deus, quem os teria penetrado e acreditado, se este dulcíssimo Salvador não os houvesse manifestado visível e claramente?

Sofrer e morrer pelos amigos, eis a maior prova de amor. Majorem hac dilectionem Nemo habet ut animam suam ponat quis pro amicis suis (Jo 15, 13). O coração de Jesus no-la dá. Engano-me: não é por seus amigos, mas sim pelos seus inimigos, por aqueles que Lhe dão a morte, que Ele Se sacrifica.

“Qual de nós teria amado”, diz Santo Agostinho, “se não amasse os inimigos?” Amou-nos enquanto o éramos, para fazer-nos dignos do nome de Seus amigos. O divino Salvador deseja que jamais percamos a lembrança desta prova incompreensível de amor, dos sofrimentos, da morte que por nós padeceu. Pode-se ser devoto de seu Coração e não se meditar com desvelo os meios, tão dignos de reconhecimento, que este suavíssimo Coração inventou no excesso de Seu amor, para testemunhá-lo aos corações endurecidos dos homens?

É não somente no Jardim das Oliveiras, mas entre as mãos dos soldados, nas ruas de Jerusalém, perante Anás, Caifás, Herodes, na coluna, no pretório, no Calvário, que os corações devotos ao de Jesus, devem acompanhar este divino Salvador, unir-se às Suas dores, que só acabaram com Sua vida.

Quanto aos frutos e méritos de semelhante meditação, estão todos os Santos de acordo em exaltá-los.

Santo Agostinho diz que uma só lágrima derramada pela lembrança da Paixão de Jesus Cristo vale mais do que uma romaria a Jerusalém e um ano de jejum a pão e água.

Diz Santo Afonso de Ligório: “Por que motivo é tão pequeno o número dos que amam a Jesus? Porque é limitado o número daqueles que meditam as penas que por nós sofreu; quem a considerar com freqüência, não poderá viver sem amar a Jesus Cristo. Tão estimulado será pelo Seu amor, que não lhe será possível deixar de amar um Deus tão amoroso, e que tanto padeceu para ser amado”.

Nosso Senhor disse à beata Verônica, da Ordem de S. Agostinho: “Eu desejara que todos os homens tributassem à Minha Paixão o culto de sincera dor e de viva compaixão dos Meus padecimentos. Ainda que uma só lágrima derramassem, podem ficar certos de que muito fariam, pois a língua humana é incapaz de exprimir o gozo que Me causaria esta única lágrima”.

Os Anjos revelaram a Joana da Cruz que a Majestade Divina a tal ponto Se compraz nas lágrimas derramadas pela Paixão de Jesus Cristo, e que esta dor é tão agradável a Seus olhos, que lhe dá apreço igual à efusão de nosso sangue, ou ao sofrimento de nossas maiores penas.

Prática

Seguindo o exemplo da Virgem Santíssima que, conforme a pia tradição, não passava um só dia sem visitar os lugares regados com o sangue de Seu divino Filho, farei de quando em quando o santo exercício da via sacra.

Oração jaculatória

Nunca me esquecerei dos sofrimentos de meu Deus; meu coração, deles conservará contínua lembrança. Memória memor erro et tabescet in me anima mea.

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Divino Coração de Jesus, tende piedade de nós!

Coração Imaculado de Maria, rogai por nós!

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Mês do Coração de Jesus, meditação do décimo nono dia

a formação da moça católica dia 19

Agonia do Sagrado Coração de Jesus no Jardim das Oliveiras

Um dia em que Santa Margarida Maria considerava atentamente na oração a tristeza e agonia de Nosso Senhor no Jardim das Oliveiras, disse-lhe o Divino Mestre: “Foi aí que sofri interiormente mais do que em todo o resto de minha Paixão, vendo-me em geral desamparado do céu e da terra, carregado de todos os pecados dos homens. Compareci assim diante da santidade de Deus que, sem atender à minha inocência, feriu-me em seu furor, fazendo-me esgotar o cálice que continha o fel e a amargura de sua justa indignação, como se se tivesse esquecido que era Pai, para sacrificar-me à sua cólera. Criatura alguma poderá avaliar a intensidade dos tormentos que então sofri pelo gênero humano.”

À terrível vista de seu Pai irritado, reunia-se ainda no Coração de Jesus a compaixão dos próprios males e dos do gênero humano.

O terceiro sofrimento do Coração de Jesus foi a sua compaixão por si mesmo. A expectativa dos males é ordinariamente mais penosa do que os próprios males. Jesus Cristo consentiu que durante esta agonia todos os tormentos da Paixão se aglomerassem, e se delineassem em seu espírito com todas as circunstâncias que os tornavam tão dolorosos como ignominiosos: quis de alguma maneira saborear toda a sua amargura e sofrê-los em seu Coração antes de experimentá-los no corpo. Os cravos, as cordas, a cruz, as varas, os espinhos, o fel, o vinagre, os escarros, as bofetadas, o manto de púrpura, o cetro de irrisão, os insultos dos inimigos, o abandono dos amigos, a traição de um Apóstolo, a negação de outro, tudo previu, tudo aceitou, durante esta pungente e mortal agonia.

Quarto sofrimento do Coração de Jesus: sua compaixão pelo gênero humano, que amava com sumo amor. “Pois Ele não se limitava a deplorar-lhe a perda em geral; compadecia-se porém dos males de cada pessoa desta multidão, afligindo-se com seus pecados, não em massa, mas em particular; de modo que não houvesse pecado algum cometido ou por cometer, moral ou venial, que não contribuísse, segundo sua medida, para dilacerar o Coração de Nosso Senhor” (Santa Ângela de Foligno).

Justos ou pecadores, todos nós lançamos nossa parte de amargura nesse Coração compassivo, causamos esta cruel agonia. Seria mister enumerar a multidão de homens que viveram e viverão até o fim dos tempos, o número e a enormidade horrorosa de seus crimes, o amor imenso em que ardia este Sagrado Coração pelas almas, o veemente desejo que o incitava a salvá-las todas, para se formar idéia das angústias e agonias dele.

Acrescente-se a esta vista da perda das almas e de sua ingratidão, todas as dores e provações físicas e morais do gênero humano, que vinham lançar-se neste mar de amargura, e às quais o divino Mestre quis sofrer em seu Coração, para que pudéssemos dizer com o Apóstolo: “Não temos Pontífice que não saiba compadecer-se de nossas enfermidades”.

Prática

Quando vos preparardes para o Sacramento da Penitência, suplicai ao Coração de Jesus que queira receber o vosso no Seu, para dar-lhe alguma parte da amarga dor que sentiu pelos pecados que lhe estavam tão presentes, durante sua dolorosa agonia.

Oração jaculatória

Pelo vosso Coração rasgado de dor, ó Jesus, traspassai o meu com o arrependimento de seus erros.

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Divino Coração de Jesus, tende piedade de nós!

Coração Imaculado de Maria, rogai por nós!

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Mês do Coração de Jesus, meditação do décimo oitavo dia

a formação da moça católica dia 12

Agonia do Sagrado Coração de Jesus no Jardim das Oliveiras

Ainda que a vida inteira de Nosso Senhor tenha sido uma Cruz e martírio contínuos, pela previsão dos males que havia de sofrer por amor do gênero humano, pode-se, todavia, dizer que o mais doloroso instante desta vida de amarguras foi aquele em que reuniu ao mesmo tempo todos esses males em seu Coração pela viva e profunda consideração da intensidade das penas que o aguardavam durante aquela agonia de três horas no Jardim das Oliveiras.

É aí que as almas dedicadas ao divino Coração devem ir considerá-lo todos os dias, e medir a profundidade de seu amor!

Os padecimentos físicos de sua Paixão foram de alguma forma lenitivo para a sua dor, satisfação para o seu amor; aqui, porém, Jesus sofre intensamente, e não permite a nenhum pensamento adoçar-lhe as angústias. Renuit consolari anima mea (Sl 16, 4). Consideremos, pois, quais foram seus sofrimentos nesta cruel agonia.

Primeiro sofrimento do Coração de Jesus: A compaixão do seu Pai; Deus é amor, Deus charitas est, nos diz o Apóstolo a quem Jesus amava. Ó definição digna de São João, e digna do Coração de Jesus, onde foi aquele buscá-la durante o repouso cheio de luz que gozou, recostado no peito do divino Mestre.

Este Deus de amor nos amou com eterno amor; ab eterno nós ocupamos seu pensamento e entramos nos desígnios de sua misericórdia: In charitate perpetua dilexi te (Jer 31, 3). Quando o homem, pecando, perdeu todos os dons que lhe reservava sua bondade, Deus ainda mais liberal, amou-o até dar-lhe seu Filho único, objeto de suas complacências e afetos, até o ponto de entregar seu divino Filho à morte mais dolorosa e ignominiosa para salvar o homem pecador.

Dar Seu Filho é mais que dar-se a si próprio; assim é que o divino Pai se teria voluntariamente sacrificado Ele próprio, se assim o houvesse julgado conveniente. O mundo, porém, desconhecendo este amor incompreensível, não quis crer nele, e o esqueceu: Nondum crediderunt charitate. Quem, na realidade, medita este admirável prodígio de amor, espanto dos Anjos e Santos do Céu? Quem o aprofunda? Quem o reconhece, ao menos quanto à criatura é possível? Se a Deus ninguém se pode comparar na extensão do amor paterno, assim também nunca filho algum amou tão ternamente o pai como Nosso Senhor a seu Eterno Pai, em sua agonia, pois o Coração de Jesus se condoia sobretudo deste incomparável amor, ultrajado pela ingratidão e inúmeros crimes com que os homens pagaram a imensa caridade de Deus Pai para com eles.

Segundo sofrimento do Coração de Jesus: a compaixão pelas dores de sua Mãe. Para dizer o que sofreu Maria Santíssima durante a dolorosa Paixão de seu divino Filho, mister seria haver penetrado em seu coração.

Só ela sentia toda a amargura dos escárnios, insultos e blasfêmias proferidas contra Jesus.

Ouvia os suspiros, os gemidos, as derradeiras palavras de seu Filhos; via-o desamparado de seu Pai, estendido, cravado na Cruz, expirar na mais cruel agonia.

Prática

Fazei com fidelidade a devoção da Hora Santa, a qual Nosso Senhor ensinou a Santa Margarida Maria.

Oração jaculatória

Quem me dera penetrar no interior de vosso Coração, ó Jesus!

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Mês do Coração de Jesus, meditação do décimo sétimo dia

Vitral-Sagrado-Coracao

O Coração de Jesus é seguro remédio para todos os males de nossa alma

O Coração de Jesus é um abismo de sabedoria, sapientiae abyssus, é a plenitude infinita onde acharemos remédio para todos os males de nossa alma; é, sobretudo, um abismo de amor no qual devemos submergir qualquer amor, especialmente o amor próprio que nos domina, com suas nocivas produções, que são o respeito humano e o desejo de elevarmo-nos e satisfazermo-nos.

“Se vos achais em um abismo de secura e fraqueza, ide submergir-vos no Coração de Jesus, que é um abismo de poder e de amor, sem almejar demasiadamente sentir-lhe a doçura, senão quando ao Senhor aprouver vo-la inspirar.

Se vos achais em um abismo de impotência para o bem, e desolação, esse divino Coração é abismo de toda a consolação, onde vos podeis afundar, sem desejar experimentar-lhe a suavidade.

Se vos achais nos apuros da pobreza e penúria, abismai-vos no Coração de Jesus, que está repleto de tesouros, e que enriquecer-vos-á.

Se vos achais em abismos de fraqueza, miséria e reincidências, ide ao Coração de Jesus, que é o foco da fortaleza e misericórdia, e logo sentir-vos-eis fortalecidos e reanimados.

Se é o orgulho a própria estima que vos prejudicam, mergulhai-vos prontamente nos profundos aniquilamentos do Coração de Jesus, cuja humanidade se vos há de comunicar.

Se obscuridade espiritual e ignorância vos afligem, voai para o dulcíssimo Coração de Jesus, abismo de luz e sabedoria, e aprendei sobretudo a amá-lo e fazer o que de vós Ele deseja.

Se a versatilidade e a inconstância vos abatem, recorrei ao Coração de Jesus, origem da constância e fidelidade e, ah! Achareis amor constante para amar-nos e fazer-nos bem.

Se estais como que engolfados na morte, voai para o Coração de Jesus, onde achareis vida, vida nova que vos fará encarar tudo com os olhos de Jesus Cristo, seguir seu impulso nas obras e palavras, e só amar o que Ele ama.

Se vos rebaixa a ingratidão, o Coração de Jesus é o oceano de reconhecimento: hauri nele com que agradecer a Deus por todos os benefícios que recebestes, e rogai a Jesus que com sua abundância supra a vossa deficiência.

Se a impaciência, a cólera e a agitação vos dominam, ide sem demora ao Coração de Jesus, que é a plenitude da mansidão. Se divagais na dissipação e tumulto de idéias, no Coração divino encontrareis recolhimento e fervor que suspira tudo, e remediará vosso coração e espírito, unindo-os a Si.

Se vos achais em abismo de tristeza, submergi-vos no Coração de Jesus, fonte de celeste júbilo, e de todas as delícias dos Santos e Anjos.” (Santa Margarida Maria)

Prática

Lançai-vos no Coração de Jesus que está sempre aberto para receber até os maiores pecadores, e dizei-Lhe: Ah Senhor, que o abismo sem fundo de minhas misérias chama sobre mim o abismo de vossas misericórdias.

Oração jaculatória

Coração de Jesus, sereis minha esperança na agitação, servir-me-eis de fresca sombra contra os ardores de minhas paixões. Spes a turbine, umbraculum ab oestu (Is 25, 4).

3 vezes

Divino Coração de Jesus, tende piedade de nós!

Coração Imaculado de Maria, rogai por nós!

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