Meditações para o Mês da Sagrada Família

Sagrada família 1

Mês da Sagrada Família

Leitura preparatória (véspera do primeiro dia)

O culto da Sagrada Família

Antes de entrarmos nos pormenores da vida e das virtudes da Sagrada Família de Nazaré, determinemos aqui o culto que lhe é devido, e mostremos, pelas palavras dos santos, que este culto não é novo na Igreja, mas que, sem ter a sua forma tão precisa e tão nítida como hoje, não foi menos conhecido e praticado pelos santos de todos os tempos.

Considerando as pessoas de Jesus, Maria e José, que compõem a Sagrada Família, compreendemos logo qual culto que merece esta família verdadeiramente divina.

A Jesus só, Filho de Deus e Deus verdadeiro, o culto supremo de adoração. A Maria, um culto que ultrapassa o que devemos tributar aos anjos e aos santos, o culto de hiperdulia. Mas, depois de Maria, José tem direito a uma veneração toda especial, por causa das funções augustas de que for revestido por Deus em relação a Nosso Senhor Jesus Cristo e à Virgem Mãe de Deus; veneração esta denominada, comumente, protodulia.

O culto da Sagrada Família compreende todos os deveres para com Jesus, Maria e José e tributa a cada um dos membros desta divina Família a honra que lhe é devida. Nada há, pois, de mais justo, mais elevado e mais conforme à lei e à piedade católica, do que este culto.

Podemos dizer também que ele é tão antigo quanto a Igreja; pois, desde o início, os cristãos adoraram a Jesus Cristo, honraram a Maria Santíssima e os Santos e, por conseguinte, também a São José, que tem, entre todos eles, um lugar à parte, e a quem canonizou o próprio Evangelho, dizendo ser ele justo: cum esset Justus.

Portanto, não é nada para espantar que o culto da Sagrada Família se espalhe hoje na Igreja, sob uma forma determinada, unindo as três personagens mais dignas de veneração do céu e da terra, para honrá-los em conjunto, cada um, entretanto, segundo a sua excelência particular; pois, seria herético igualar a Jesus, Maria e José, e mesmo pôr São José ao lado da Santíssima Virgem, prestando-lhe o mesmo culto.

Contudo, nada mais legítimo do que honrar os mistérios da vida oculta do Salvador em companhia de Maria e de José, e esta é a finalidade do culto da Sagrada Família. Depois de adorar a Nosso Senhor, nada é mais conveniente do que venerar à sua divina Mãe, e depois dela e com ela a São José.

Ouçamos São Francisco de Sales: “Esta Família compunha-se apenas de três membros, que nos representam o mistério da Santíssima Trindade! Não porque haja comparação, a não ser no que diz respeito a Jesus, que é uma das pessoas da Santíssima Trindade: as outras são criaturas; entretanto devemos dizer também que é uma trindade na terra, que representa, de algum modo, a Santíssima Trindade. Jesus, Maria, José, trindade maravilhosamente recomendável e digna de ser honrada.”

Cornélio a Lapide é ainda mais explícito: “Evidentemente, diz ele, Jesus Cristo era da família de sua Mãe, e sua Mãe era da família de José, seu esposo.

Havia, portanto, na terra, uma família santíssima, toda celeste e mesmo divina, cujo pai de família e, por conseguinte, o chefe e o guia era José; cuja mãe de família era a Sma. Virgem, e cujo filho era Jesus Cristo. Nesta família encontravam-se as três pessoas mais elevadas e mais excelentes de todo o universo.

“A primeira era o Cristo, Deus e homem, ao mesmo tempo. A segunda, a Virgem, Mãe de Deus e, por conseguinte, unida do modo mais íntimo a Jesus Cristo. A terceira era José, que era, por direito matrimonial, o pai de Jesus Cristo.

“Eis porque é devido o culto de adoração, ou de latria, a Jesus Cristo; o de hiperdulia, que está acima do que tributamos a todos os Santos, a Maria; e a José, um culto de dulia suprema, pois, que, depois de Maria, ele merece ser honrado mais do que todos os outros santos.

“E quem se admirará disso, sabendo que ele foi o pai de Jesus, o esposo de Maria e, por conseguinte, o chefe e superior de um e de outra?

“A Família de Nazaré foi a imagem da Santíssima Trindade: José representava o Padre Eterno; a Bem aventurada Virgem, o Espírito Santo, pois ela era santíssima; Jesus fazia mais do que representar o Filho de Deus, visto ser o próprio Filho de Deus. Assim como na Santíssima Trindade há três pessoas em uma só natureza, em uma só família perfeita se encontravam três personagens augustas: Jesus, Maria e José. Assim como o Padre Eterno gera o seu Filho de um modo todo espiritual, Maria concebeu e deu à luz Jesus Cristo dum modo sobrenatural, pela virtude do Espírito Santo. Deus Pai gera o seu Filho, assim como a luz emite o seu raio luminoso; eis porque cantamos do Filho de Deus “luz de luz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus.” Assim a Bem aventurada Virgem Maria, a Estrela do mar, deu à luz Aquele que é o esplendor da luz eterna. Assim como uma estrela envia a sua claridade sem se corromper, a Virgem, sem que fosse ferida a sua virgindade, deu à luz o Cristo, que é a luz do mundo.

“Esta família era, pois como o céu na terra; ela se compunha de três membros, que eram mais anjos revestidos de um corpo, do que homens; ou ainda, três personagens que representam a Divindade. Não se pode duvidar de que esta casa santa tenha estado repleta de anjos, que vinham servir a Virgem, Rainha do céu e a Nosso Senhor Jesus Cristo, o seu Senhor e o seu Deus. Eles ficavam em admiração diante dEle e tinham um desejo ardente de contemplar o Verbo encarnado. Esta casa era um como céu ocultando admirável mistério. Exteriormente tinha uma aparência obscura; mas dentro, era bela como as tendas de Cedar e como as tapeçarias de Salomão. Gerson também exclamou em sua admiração: “Oh! Como é amada pela Santíssima Trindade a trindade desta terra! Nada na terra existe mais caro, melhor e mais excelente. O céu enviou à terra estes habitantes, que eram mais dignos de viver no céu do que na terra.”

* * *

São Leonardo nos diz por sua vez:

“Esta família santa não foi inteiramente humana, nem inteiramente divina; mas ela tinha algo de um e de outro; e isto fez com que alguns a chamassem de Trindade terrestre. Que posso eu fazer, senão declarar com o piedoso Gerson não ter palavras para descrever esta admirável trindade, Jesus, Maria e José?

Rendei, pois, freqüentes homenagens à adorável Trindade do Céu, ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo; mas honrai também à trindade santa, que habitou visivelmente entre nós aqui na terra: Jesus, Maria e José. Gravai nos vossos corações, com áureas letras estes três nomes celestes; pronunciai-os muitas vezes, escrevei-os por toda parte: Jesus, Maria e José! Sejam estas as primeiras palavras que ensinareis aos vossos filhos. Repeti várias vezes ao dia estes nomes sagrados; e estejam eles ainda em vossos lábios, no momento em que exalares o último suspiro.”

Terminando, citemos as palavras do Pastor Supremo da Igreja, aprovando a devoção à Sagrada Família, e fazendo votos para que ela se propague mais a mais.

“É com razão, escreve S. S. Leão XIII, que o culto da Sagrada Família, introduzido a propósito entre os católicos, toma, dia a dia, maior incremento.

“É o que provam, quer as associações estabelecidas sob a invocação da Sagrada Família, quer as honras particulares que se lhe tributam, quer, sobretudo, os privilégios e os favores que concederam os nossos predecessores, afim de excitar, para com eles, a devoção e a piedade dos fiéis…

“Aqueles que conhecem e deploram conosco a mudança e a corrupção dos costumes, o enfraquecimento e a ruína do amor da religião e da piedade nas famílias, da avidez de coisas terrestres, desejam ao menos que se traga um remédio salutar a tantos e tão grandes males.

“É, em verdade, nada podemos imaginar de mais salutar e eficaz para as famílias, do que o exemplo da Sagrada Família, que encerra a perfeição de todas as virtudes domésticas.

“Que Jesus, Maria, José, invocados no santuário doméstico, nele nutram a caridade, dirijam o proceder, estimulem por seus exemplos à virtude, e que, suavizando as misérias inevitáveis desta terra, tornem-nas mais facilmente suportáveis.” [1]

Correspondamos aos votos do Vigário de Jesus Cristo, honrando a Sagrada Família todos os dias deste mês, e esforçando-nos por reproduzir as suas virtudes, sobretudo a sua caridade e o seu espírito de oração.

RESOLUÇÃO: Sejamos assíduos aos exercícios deste mês e determinemos, desde já, alguma oração que queremos fazer em sua honra, e a virtude à qual nos queremos aplicar particularmente.

[1] Leão XIII – Breve de 14 de junho de 1892.

Fonte: Livro “Os ensinamentos de Nazaré” Padre Júlio Maria, livro de 1941, o mesmo pode ser baixado clicando aqui.

Sobre Débora Maria Cristina

email para contato: aformacaodamocacatolica@gmail.com

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