Arquivo do mês: maio 2014

Vigésimo segundo dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

Nossa Senhora com menino

Contemplação Eucarística de Maria

I. A Contemplação segue naturalmente a adoração e a ação de graças, alimentando-as e aperfeiçoando-as, ao mesmo tempo. A contemplação eucarística é o olhar que a alma fixa em Jesus Sacramentado para conhecer detalhadamente suas perfeições, admirar sua bondade na instituição da Eucaristia, estudar-lhe os motivos, examinar-lhe os sacrifícios, avaliar-lhe os dons e apreciar-lhe o amor.

O primeiro fruto da contemplação eucarística consiste em fixar e concentrar a alma em Nosso Senhor, descobrindo-lhe o mistério de suas perfeições e o amor que se encerra no dom inefável da Eucaristia; este olhar refletido e prolongado sobre o amor excessivo de Jesus, ao preparar, instituir e perpetuar o adorável Sacramento, desperta em nós, em primeiro lugar, a admiração, em seguida o louvor, e por fim a expansão do amor; a alma sai de si mesma para se unir e aderir ao objeto divino de sua contemplação. Daí resulta ser a contemplação a parte essencial da adoração; e seu foco.

II. Nossa Senhora diante da Eucaristia se absorvia numa contemplação que nenhuma língua humana ou angélica poderia exprimir, somente Jesus Cristo, que era seu objeto, conhecia-lhe o valor. Maria possuía o mais perfeito conhecimento do amor que Jesus demonstrara instituindo a Eucaristia; conhecia as lutas que tivera de sustentar com seu Coração e os sacrifícios que lhe custara a instituição desse Sacramento; lutas do amor divino contra a incredulidade e a indiferença da maioria dos homens; lutas da santidade contra a impiedade, as blasfêmias e os sacrilégios de que seria alvo a Eucaristia, não somente por parte dos hereges, mas também de seus próprios amigos; lutas de sua bondade contra a ingratidão dos cristãos negligentes em recebê-lo na Comunhão, recusando desse modo suas melhores graças e seus mais ternos convites. O amor de Jesus, porém, triunfou de todos esses obstáculos. “Apesar de tudo hei de amar os homens, e sua malícia não poderá desanimar nem vencer minha bondade!”

Maria acompanha essas lutas, partilhara esses sacrifícios e fora testemunha da vitória; evocava essas lembranças em sua adoração, relembrava esses fatos ao Salvador, exaltando o amor que O fizera vencer.

III. Para apreciar o dom da Eucaristia, o adorador deve, a exemplo da Virgem Santíssima e em união com Ela, volver à sua origem, aos sacrifícios que custou ao amor de Nosso Senhor. Se o amor é belo no Calvário, mostra-se ainda mais belo no Cenáculo e no Altar, pois aí é o amor perpetuamente imolado. A compreensão dessas lutas e dessa vitória fará ver ao adorador o que deve em compensação a um Deus tão bondoso. Então, com Maria, sua divina Mãe, se oferecerá de todo o coração a Jesus Eucarístico, a fim de bendizê-lO e agradecer tanto amor; consagrar-se-á a honrar os diversos estados de Jesus Sacramentado, praticando em sua vida as virtudes que o Divino Salvador aí exercita, glorificando-as de um modo admirável. O adorador honrará a profunda humildade do Salvador, que O leva até o aniquilamento total sob as santas espécies, honrará o sacrifício da sua própria glória e onipotência, que O torna prisioneiro do homem; a obediência que faz d’Ele o servo de todos, tomando a Virgem Maria como a verdadeira Mãe da vida eucarística para ajudá-lo nesse estudo prático. Confiará em Maria, amando-A como a Mãe dos adoradores, que é o título mais caro ao seu coração e o mais glorioso para Jesus.

* * *

O prêmio de uma Santa Missa celebrada em honra de Maria

Uma grande pecadora conservara, em sua vida de desordens, o costume de recitar diariamente uma Ave Maria, e mandou celebrar, num dia de sábado, o Santo Sacrifício em honra da Santíssima Virgem para obter sua proteção na hora da morte. Chegando esse instante supremo, o demônio se apresentou imediatamente, com rugidos ameaçadores, para se apoderar da pobre alma. Maria, porém, não se esquecera da Missa celebrada em sua honra: arrebata, pois, das garras do demônio, esta alma que ele já se apressava em lançar no abismo eterno. “Não sabes tu, monstro do inferno, lhe diz Maria, que esta alma chamava por mim todos os dias, e que mandou celebrar uma vez a Santa Missa em minha honra?” – É verdade, replica Satanás, é inumerável, porém a multidão de seus crimes! – “Convence-te, retruca a Santíssima Virgem, que não pode perecer a alma que recorre a mim.” O demônio derrotado com esta resposta, fugiu soltando gritos horríveis, e Maria, radiante de júbilo, levou para o céu essas almas feliz, gloriosa conquista de seu amor materno.

(Laghi. C. LXXIX).

PRÁTICA – Rogar incessantemente a Maria pelos interesses da Eucaristia.

JACULATÓRIA – Ó Maria, ninguém se aproximou tão intimamente de Jesus quanto vós!

Obs.:Trecho extraído do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bem aventurado Pedro Julião Eymard. O mesmo pode ser baixado no blog alexandriacatolica.blogspot.com.br

Vigésimo primeiro dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

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Adoração de Ação de Graças de Maria

I. Ao ato de fé humilde e simples, à adoração pelo aniquilamento próprio, Nossa Senhora unia a ação de graças. Depois de ter abismado no sentimento da grandeza e da majestade divinas, veladas sob o Sacramento, volvia o olhar para esse Tabor de amor, a fim de contemplar-lhe a beleza e deleitar-se em sua inefável bondade.

Agradecia a Jesus o seu amor, no dom da Eucaristia, ato supremo de sua caridade infinita. A ação de graças da Santíssima Virgem era perfeita, porque conhecia a grandeza desse dom.

Oh! Como foi grande a felicidade de Maria quando, antes da ceia, Jesus lhe revelou que a hora do triunfo de seu amor havia soado e que ia instituir seu adorável Sacramento, por meio do qual, perpetuando-se e sobrevivendo entre nós, proporcionaria a cada fiel a ocasião de participar da felicidade de Maria, podendo recebê-LO em seu corpo como a Virgem, vê-LO, de certo modo, e em seu estado sacramental fruir de todas as graças, fazendo aí reviver todos os mistérios de sua vida mortal! “Depois desse dom, no qual esgoto o meu poder, nada mais tenho a dar ao homem senão o céu”.

A essa feliz nova, Maria se prostrou aos pés de Jesus, adorando com efusiva gratidão esse amor excessivo para com os homens, e também para com Ela, sua indigna serva; Maria se havia oferecido para servi-LO em seu adorável Sacramento, consentindo em ver retardada a hora de sua recompensa, a fim de permanecer como perpétua adoradora na terra, encarregada de guardar e de servir a Eucaristia, feliz de morrer aos pés do Divino Tabernáculo.

II. Em suas adorações no Cenáculo, Maria renova diariamente esta ação de graças: Como sois bondoso, ó meu Senhor e meu Filho! Como pudestes amar ao homem até esse ponto, dar-lhe mais do que podia receber, amá-lo mais do que é capaz de avaliar, inventar o que seu coração jamais poderia compreender? Por amor dele esgotastes vossa onipotência e os tesouros de vosso Coração! Em seguida a Santíssima Virgem entoava louvores a cada uma das potências da alma de Jesus, a cada membro do Salvador que havia cooperado na instituição da Sagrada Eucaristia; consagrando-lhes o ardente amor que abrasava seu Coração.

Oh! Com que gozo e complacência não teria Jesus recebido essas primeiras homenagens de sua Santa Mãe, primícias das que lhe foram prestadas em seu Sacramento! E como seu coração devia rejubilar por ter deixado a Maria, para sua consolação, sua presença sacramental! Ainda mesmo que fosse unicamente para Ela, Jesus teria instituído a Eucaristia! E isto não nos deve admirar, pois que as adorações e as ações de graças de Maria eram para Jesus de maior valor do que as homenagens de todos os santos reunidos.

A ação de graças de Maria era também muito agradável a Jesus, porque acima de tudo Ele preza a gratidão e o reconhecimento, e somente isto espera de nós. Adorar dando graças é adorar bem, é reconhecer o primeiro de seus divinos atributos, aquele para cuja manifestação Ele veio especialmente à terra, isto é, a bondade: consideremos isto atentamente quando estivermos a seus pés.

Agradeçamos por intermédio de Maria, pois quando um filho recebe alguma coisa cabe à mãe agradecer por ele; nossa ação de graças identificada com a de Maria Santíssima será perfeita e bem aceita pelo Coração de Jesus.

A criança preservada das chamas

Era costume dos primeiros séculos da Igreja dar às crianças ainda na idade de inocência batismal as partículas consagradas que ficavam após a comunhão dos fiéis.

Certo dia, o filhinho de um judeu de Constantinopla, que trabalhava numa fábrica de vidros, ao se dirigir à escola em companhia de outras crianças cristãs, entrou com elas na Igreja e inocentemente se apresentou, como as demais, para receber os fragmentos da Santa Eucaristia.

Ao chegar em casa, contou ao seu pai o que fizera. O judeu, homem brutal e dos mais encarniçados contra a religião cristã, ficou possuído de tão violenta cólera que lançou a criança numa fornalha ardente. Instantes depois, a mãe, que estava ausente, regressando ao lar, em vão procurou saber onde se achava o filhinho. Percorreu, em sua aflição, toda a redondeza, porém tanto suas pesquisas como suas indagações não tiveram resultado.

Triste e inconsolável, há três dias chorava a perda de seu filho quando, no excesso de sua angústia, começou a chamá-lo pelo nome, como se ele estivesse em casa.

De repente, ó surpresa! Ouve uma voz que lhe responde chamando-a pelo doce nome de mãe. Emocionada, corre à fornalha, de onde lhe parecia proceder o som. Deteve-se, porém, achando impossível que a criança pudesse estar em meio das chamas devoradoras. Mas se repete o chamado e bem distintamente. Sem mais duvidar, abre a porta da fornalha e vê esse estranho espetáculo: seu filhinho dentro do braseiro, porém cheio de vida. Chama os vizinhos em seu auxílio, e todos presenciam o milagre.

Interrogada a criança, que saiu sã e salva, conta que seu pai a jogara no fogo por ter assistido as cerimônias dos cristãos, mas que uma linda senhora, resplandecente de luz, a preservara das chamas cobrindo-a com seu manto, lhe dera alimento, e que essa protetora bondosa muito se parecia com a estátua da Santa Virgem que vira na Igreja dos cristãos.

Compreenderam todos então que a criança privilegiada fora salva por Maria, que lhe conservou a vida defendendo-a contra o ardor das chamas. O imperador, tendo conhecimento do ato desnaturado desse pai, mandou prendê-lo e o condenou ao suplício. O miserável, em lugar de se converter, obstinou-se mais e mais no erro. Quanto à mãe e seu filhinho, se instruíram na religião católica, receberam o Batismo e se tornaram cristãos fervorosos.

PRÁTICA – Rogar incessantemente a Maria pelos seminaristas, os coroinhas e todos os fiéis, a fim de que se apliquem com piedade e reverência a suas santas funções.

JACULATÓRIA – Oh! Maria, nós vos bendizemos, vós que sois a perfeita Serva de Jesus Eucaristia.

Obs.:Trecho extraído do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bem aventurado Pedro Julião Eymard. O mesmo pode ser baixado no blog alexandriacatolica.blogspot.com.br

Vigésimo dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

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Adoração de fé e respeito de Maria

I. Quantas coisas teríamos a dizer sobre a vida de adoração de Maria no Cenáculo! Vinte e quatro anos passados nesse santo lugar, onde Jesus havia instituído a Eucaristia, e onde fixara seu primeiro Tabernáculo! Maria estava inteiramente ocupada em adorá-LO e honrá-LO na sua vida eucarística; passava a maior parte dos dias e das noites junto desse divino Tabernáculo; aí estava seu Jesus, seu Filho e seu Deus! Quando saía de sua pobre cela para se dirigir ao oratório do Cenáculo, já começava sua adoração; caminhava recolhida, com os olhos baixos, com passo grave e modesto; desse modo se preparava para apresentar-se ao Deus da Eucaristia.

Ao chegar diante do Tabernáculo, prostrava-se com grande devoção e profundo respeito, depois concentrava suas faculdades num simples e piedoso recolhimento; o corpo ereto, as mãos juntas ou cruzadas sobre o peito, ou também, às vezes, quando estava só, erguidas suplicantes para o Tabernáculo no qual conservava quase sempre os olhos fixos.

II. Maria começava então a adoração com a fé mais submissa; adorava seu Filho oculto e velado sob uma forma estranha, porém seu amor atravessava a nuvem do mistério e chegava aos pés sagrados de Jesus, que venerava com o mais respeitoso amor: subia até, suas santas e veneráveis mãos que tinham consagrado e distribuído o Pão da vida. Bendizia seus lábios sagrados que haviam pronunciado estas adoráveis palavras: “Isto é meu Corpo, isto é meu Sangue.” Adorava esse Coração abrasado de amor donde se originara a Santíssima Eucaristia. Maria quisera abismar-se e aniquilar-se ante a divina Majestade, aniquilada também no Sacramento, a fim de lhe prestar todas as honras e homenagens que Lhe são devidas.

III. A adoração de Maria era profunda, interior, íntima; era o dom de si mesma. Oferecia-se totalmente ao serviço de amor do Deus da Eucaristia, pois o amor não impõe condições nem reservas, já não pensa em si mesmo, nem vive mais para si; já não se conhece, e só vive para o Deus a quem ama. Em Maria tudo convergia para o Santíssimo Sacramento como para o seu centro e seu fim. Uma corrente de graça e amor se estabelecia entre o Coração de Jesus-Hóstia e o coração de Maria adoradora; eram duas chamas que se fundiam numa só. Deus foi, então, perfeitamente adorado por sua criatura.

IV. Que a exemplo de Maria o adorador se coloque de joelhos com o mais profundo respeito, concentre-se, como Maria, e em espírito se ponha a seu lado para adorar; apresente-se diante de Nosso Senhor com aquela modéstia, aquele recolhimento interior e exterior que preparam maravilhosamente a alma ao angelical ofício da adoração.

Debaixo dos véus eucarísticos que encobrem a seus olhos a santa Humanidade, adore a Jesus com a mesma fé que Maria e a Santa Igreja, estas duas Mães que o Salvador, em seu infinito amor, lhe concebeu; adore ao seu Deus como se O visse e ouvisse, porque a fé viva ouve, vê, toca com maior certeza que os próprios sentidos.

* * *

O Santo Viático solicitado e acompanhado por Maria

Piedosa donzela, muito devota de Maria, pobre dos bens deste mundo, porém na posse do maior tesouro que é o espírito de fé, se achava em vésperas de morrer sem o santo Viático, o que muito a entristecia. A Mãe de bondade veio então em seu socorro, e, aparecendo, cercada de um cortejo numeroso de anjos, ao bem-aventurado Oderico de Por-Mahon, que atravessava uma floresta, disse-lhe: “Bem perto daqui, uma fervorosa filha minha agonizante deseja com ardor receber a Santa Comunhão. O Vigário de sua paróquia está ausente; desejo que o susbstituas. Hei de conduzir-te à Igreja e depois à casa da doente, pois quero assistir a sua última comunhão.”

O bem-aventurado obedeceu e tomando o Santíssimo Sacramento O levou com piedade, acompanhado por Maria, que apresentava um semblante radioso e penetrado de doce majestade. E quem poderá dizer as homenagens de respeito e amor que o seu coração tributou ao seu Filho oculto sob as espécies sacramentais?!

A doente recebeu o Sagrado Corpo em presença da Santíssima Virgem. De quantas consolações deve se ter sentido inundada, e, certamente, deve ter reconhecido, nesta graça a recompensa de sua confiança em solicitar a Maria o seu tão caro Jesus, que Ela jamais recusa a quem lh’O pede.

( Rossignoli).

PRÁTICA – Acompanhar em união com Maria o Santíssimo Sacramento quando O levam aos doentes.

JACULATÓRIA – Oh! Rainha de Bondade, nós vos contemplamos ao lado do Rei dos reis, Jesus Eucaristia!

Obs.:Trecho extraído do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bem aventurado Pedro Julião Eymard. O mesmo pode ser baixado no blog alexandriacatolica.blogspot.com.br

Décimo nono dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

o Tabernáculo

A vida de Adoração em União com Maria

I.Considerando atentamente as razões pelas quais Nosso Senhor nos deixou sua Mãe, separando-se d’Ela, parece-me que o fez porque desconfiava de nossa fraqueza e inconstância.

Temia Jesus que os homens, não sabendo como encontrá-LO e adorá-LO em seu Sacramento, se desgostassem e O esquecessem. A criança, como sabeis, não procura por muito tempo o que deseja; se não encontra, muda de idéia e recorre a outra coisa. É justamente o que Nosso Senhor receava de nós. Por isso nos deixa sua Mãe com a missão de tomar-nos pela mão, e conduzir-nos a seu Tabernáculo. A Santíssima Virgem vem a ser, pois, nossa Mãe por causa da Eucaristia; está encarregada de fazer-nos encontrar nosso Pão de vida e de no-lo fazer apreciar e desejar, recebendo a missão de nos formar à adoração.

Em Jerusalém, reúne uma piedosa comunidade com a qual distribui seu tesouro e sua graça de amor. Esta ação se estendia aos discípulos e aos primeiros fiéis; Maria educava seus filhos como verdadeira mãe, formando-os à virtude e aos seus deveres de estado. O que Maria fez então continuará a fazê-lo ainda por nós; há de instruir-nos acerca de Nosso Senhor na Eucaristia, fazendo-nos participar de sua piedade para com Ele, e de sua dedicação em seu serviço, porque tudo quanto pertence à mãe pertence aos filhos, é para eles que ela se enriquece.

Maria é mãe, fará portanto nossa educação. Quando o filho se distrai do trabalho, a mãe acorre logo para chamá-lo à ordem; quando está doente, ela o trata; não o deixa nunca; importa que desempenhe sua missão de educadora.

Será, pois Maria quem vos há de formar inspirando-vos seu modo de adorar, fazendo sua adoração em vós; somente Ela poderá vos ensinar a verdadeira e perfeita adoração; só um coração materno é capaz de se fazer compreender por seu filho. É mister que a Santíssima Virgem vos diga: “Vinde adorar comigo.”

Nosso Senhor colocou Maria em nosso caminho para que seja o traço de união entre Ele e nós. Maria infunde o primeiro atrativo para Jesus. Instintivamente, a criança se dirige em primeiro lugar à mãe e esta logo a conduz ao pai, mas, por si mesma, não corre para ele; segue, antes, à mãe. E Nosso Senhor nos deu Maria por mãe a fim de que Ela seja para nós um primeiro centro de fácil atração; antes de conhecer a Eucaristia já conhecíamos o nome de nossa Mãe a quem amávamos. Maria nos atraiu, pois a si, formou-nos nas virtudes indispensáveis à vida eucarística, e assim deve ser: para mim é evidente que não existirá verdadeira devoção à Eucaristia e nem haverá boas vocações para o Santíssimo Sacramento a não ser aquelas formadas por Maria. Não, não, a criança só se forma nos braços de sua mãe e no seu regaço. É preciso que todas as vocações passem pelas mãos de Maria, para que sejam agradáveis ao coração de Nosso Senhor.

II. Examinai vossa vida passada! Não é verdade que já tínheis uma grande devoção a Maria Santíssima antes mesmo de vos dedicardes à Eucaristia? Suspiráveis por seu amor e por sua pureza, embora sem conhecer a sua vida eucarística. Já dizíeis: “Oh! Se eu possuísse as virtudes de minha Mãe Santíssima, para servir a Jesus!” Era esse um primitivo atrativo. Fazíeis então como a criancinha que, não podendo pegar na mão de sua mãe, a segura pelo avental ou pela saia, e se esta se afasta um instante, julga que está perdida.

A mãe constitui um centro, e permanece sempre um centro; sentimos a necessidade de viver com ela e de permanecer ao seu lado.

A Santíssima Virgem não é como os santos, que concede certas e determinadas graças. Maria concede todas as graças e por isto sempre necessitamos d’Ela.

É ainda a mãe que ensina ao filhinho as palavras que agradarão ao pai; é ela quem compõe o cumprimento que deverá recitar; e ainda quem prepara o banquete ao gosto do pai. Percebeis onde quero chegar? Quero vos dizer: adorai o Nosso Senhor em companhia da Santíssima Virgem, não digo permanecei n’Ela; não, Jesus ai está diante de vós para irdes diretamente a Ele, porém fazei-o sem Maria, vivei com Ela e n’Ela; visto que Nosso Senhor vô-LA deu como diretora, jamais deveis adorar sem Ela. Dizei-lhe: “Minha boa Mãe, acompanhai-me; a mãe sempre acompanha seu filho; sem vós nada saberei dizer.”

Imaginai ver Maria de joelhos no Cenáculo; vede-A adorando seu Filho oculto na Eucaristia. Oh! Quão agradável era a Jesus o que lhe dizia sua Mãe! Como sabia comover o coração do seu Filho! Ajoelhai-vos, pois ao lado de Maria: não queirais caminhar só, não andeis adiante, mas permanecei ao lado d’Ela, fazendo com Ela uma única adoração, apresentando a mesma homenagem. “Oh! Jesus, eu não sei adorar, mas ofereço-vos as palavras, os transportes do coração de vossa Mãe, que é também minha: não sei adorar, mas repetir-vos-ei sua adoração pelos pecadores, pela conversão do mundo e por todas as necessidades da Igreja.”

Desse modo contentareis o coração de Maria. Ela vos mostrará a Jesus dizendo-Lhe: “Oh! Meu Filho, vede como eu revivo nesta alma, como continuo a adorar-vos nela e por ela!”

Oh! Sim, se alguém deve honrar, amar o servir a Maria, é certamente aquele que faz profissão de viver pela Eucaristia, porque precisa de Maria para adorar; na adoração, Maria e o adorador devem se identificar. Ah! Deixai que a Santísima Virgem governe vossa vida, deixai que Ela vos leve a Jesus! Maria só deseja uma coisa: a glória de Seu Divino Filho e a vossa felicidade.

* * *

Maria incita a Comungar

É tão grande o desejo da Santíssima Virgem de que recebamos frequentemente o seu divino Filho, fonte de todo bem e de toda graça, que certa vez se dignou exortar em pessoa um bom religioso a quem um temor exagerado de sua indignidade afastava do divino banquete. Ao se preparar um dia para a Santa Comunhão, assistindo piedosamente a Missa, viu ele nas mãos do Sacerdote, em lugar da Hóstia, Jesus Crucificado, deixando jorrar das chagas dos pés o sangue em abundância. Sentiu-se o religioso tão impressionado que não ousou se aproximar da Santa Mesa. Terminada a Missa, continuou a rezar, ainda sob o peso de sua angústia, quando lhe apareceu a Virgem Imaculada perguntando-lhe por que não fora receber o Corpo de seu amado Filho. O bom Religioso respondeu-lhe que se achava por demais indigno. “E quando conseguireis, retrucou-lhe a Mãe de Deus, tornar-vos digno de participar deste Sacramento? Pedi vós mesmo ao meu Filho que Ele se digne preparar-vos como Lhe apraz e, Dora em diante, não vos afasteis, por conta própria, da Sagrada Comunhão.”

(Nicolau Laghi, trat, III, c. I.)

PRÁTICAPreparar-se à Comunhão, quanto possível, assistindo a Santa Missa.

JACULATÓRIAÓ bem-aventurada Virgem Maria! Jesus encontrou em vós o seu ninho e aí permaneceu com amor!

Obs.:Trecho extraído do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bem aventurado Pedro Julião Eymard. O mesmo pode ser baixado no blog alexandriacatolica.blogspot.com.br

Décimo oitavo dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

o Sacrário

A Virgem Maria no Cenáculo

Acompanhemos nossa Mãe ao Cenáculo, e ouçamos as lições que nos dá, lições que Maria recebe de seu divino Filho, com quem conversa dia e noite. Ela é o eco fiel e amável do coração e do amor de Jesus. Amemos ternamente a Maria, trabalhemos sob seu olhar, rezemos com Ela, sejamos-lhe filhos ternamente dedicados, e assim honraremos a Jesus, que no-LA deu por mãe, a fim de que Ela nos eduque em seu amor e em sua própria vida. Entregai-vos pois, integralmente à direção de Maria, adotai seus pensamentos, repeti suas palavras, imitai o seu porte, praticai suas ações, amai com seu amor, compartilhai de seus sofrimentos, e assim tudo n’Ela vos dirá: “Jesus, o melhor serviço de Jesus, a maior glória de Deus!”

Honrai em Maria, aos pés do Santíssimo Sacramento, todos os mistérios de sua vida; vereis que eles eram apenas marcos que conduziam ao Cenáculo.

Na vida de Maria no Cenáculo, encontrareis o modelo e a consolação da vossa. Ali vereis esta augusta rainha ajoelhada, como adoradora e serva do Santíssimo Sacramento. Ajoelhai-vos junto a vossa Mãe; adorai e orai com Ela: assim continuareis sua vida eucarística na terra.

Quando fordes à sagrada Mesa, revesti-vos das virtudes e méritos de Maria, vossa Mãe; assim comungareis com sua fé e seu coração. Oh! Quão feliz será Jesus encontrando em vós a imagem e a reprodução de sua Mãe amabilíssima!

Quando trabalhardes para o culto eucarístico, uni-vos à intenção e ao gozo de Maria trabalhando para Jesus Sacramentado, e sentir-vos-ei felizes!

Oh! Quanto Maria vos há de amar se servirdes bem ao seu Jesus! Quanto vos há de proteger se trabalhardes somente para a glória de Jesus! Quanto vos há de enobrecer se viverdes unicamente do amor de Jesus! Desse modo, torná-LA-eis duplamente Mãe, porque A colocais mais perfeitamente na tua graça e na sua missão de Mãe dos adoradores de Jesus.

Porém sede modestos como Maria, lembrai-vos de sua modéstia diante do Anjo e imaginai quão modestamente Ela servia a seu Filho no Sacramento.

Sede puros como Maria; lembrai-vos de que Ela teria renunciado até mesmo à glória da maternidade divina, para conservar a flor de sua virgindade.

Sede humildes como Maria, abismada em seu nada, inteiramente entregue à graça de Deus.

Sede amáveis e mansos como vossa Mãe, que era a suave expressão do coração de Jesus.

Sede dedicados como Maria; Ela amou até o Calvário, até a morte. Foi no Calvário que se tornou Mãe de amor e será ali que vos tornareis também verdadeiros adoradores, dignos do Cenáculo, dignos de Maria e de Jesus!

* * *

A Imagem e a realidade

É fora de dúvida que o respeito que se testemunha às imagens de Nosso Senhor, e o cuidado em orná-las, são provas de piedade muito agradáveis a Maria, e esta devoção tem sido, muitas vezes, recompensada com prodígios. Entretanto, as imagens, que nos impressionam os sentidos, não nos devem fazer esquecer a realidade adorável, somente percebida por um coração amante e cheio de fé.

A venerável serva de Deus, Tereza Mexia, da Ordem de São Domingos, consagrava uma grande devoção a uma imagem do Menino Jesus nos braços de sua santa Mãe; a ornamentava com flores, preparava-lhes ricas guarnições e a cumulava de todas as atenções que o seu terno amor sugeria. Certo dia em que, apresentando ao Menino Jesus uma veste trabalhada com esmero, lhe disse: “Vinde, meu bem amado, receber esta veste que vos oferta esta indigna serva”, Jesus deixou os braços de sua Mãe para satisfazer os desejos de Tereza, que O reveste então com imensa ternura, esquecendo de cuidar do altar e do Tabernáculo onde reside Nosso Senhor em pessoa. Uma voz porém lhe adverte: “Tereza, te ocupas com a imagem e esqueces a presença real e viva?”

A fervorosa filha compreendeu a lição, e daquele momento em diante, sem deixar no esquecimento a querida imagem do Menino Deus, consagrou os seus maiores desvelos em ornar o altar e o Sacrário; conseguiu mesmo angariar, a custa de sacrifícios, ouro e prata suficientes para confeccionar um dos mais ricos e mais belos Tabernáculos da Espanha.

PRÁTICA – Trabalhar com zelo na ornamentação dos altares eucarísticos, de modo especial para as Igrejas pobres.

JACULATÓRIA – O Senhor, ó Maria, vos ornou como seu tabernáculo escolhido, e Jesus-Hóstia fez suas delícias em habitar em vós.

Obs.:Trecho extraído do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bem aventurado Pedro Julião Eymard. O mesmo pode ser baixado no blog alexandriacatolica.blogspot.com.br

Décimo sétimo dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

Rainha dos Apóstolos

Maria, Nossa Mestra no Cenáculo

I. “Filho, eis aí vossa Mãe.” Ao ouvir dos lábios de Jesus estas palavras, tão consoladoras para nós, a Santíssima Virgem devia ter morrido de dor. Como assim?! O discípulo em lugar do Mestre, João em lugar de Jesus, a criatura em lugar do Filho de Deus?!

A divina Mãe, porém, aceita com amor esta permuta; cobre-nos com o sangue e os merecimentos de Jesus, e começa a nos amar com solicitude ilimitada, a ponto de sentir-se feliz em ficar ainda 24 anos na terra, para nos alimentar com seu amor e suas graças incomparáveis, apesar do imenso desejo que tinha de se ver unida quanto antes a seu Filho na glória.

A missão de Maria será a de fazer nossa educação cristã. Jesus conquistou todos os tesouros da graça; compete a Maria recolhê-los, distribuir o Pão que Ele nos deixou e fazer observar a lei que promulgou.

Jesus não podia ficar entre nós em seu estado glorioso; um certo temor nos afastaria d’Ele. E é por isto que o seu amor, no Santíssimo Sacramento, O priva de toda a ação exterior, a fim de que se torne mais atraente e mais acessível a todos.

Eis, porém nossa Mãe, que também é a Mãe de Jesus; Ela conhece o segredo da vida e do coração de seu Filho, e nos quer manifestar as virtudes de Jesus, no-las mostrar sob esse aspecto amável e fácil de reproduzir, o que somente é dado fazer a um coração de mãe. Se eu ousasse, dizia Maria vai maternizar Jesus, torná-LO tão meigo, tão acessível e fácil de imitar, como é a mãe para seu filhinho!

Oh! Como serão belas e tocantes as palavras de Jesus, passando pelos lábios de Maria! Quão amáveis e facilmente imitáveis se tornarão as virtudes tão sublimes, em si mesmas, ensinadas por Maria! Quão belo e amável será Jesus pintado por Maria! Como será fácil a educação com tão boa Mestra!

II. Maria conceberá, formará e aperfeiçoará Jesus em nós; Ela concebe Jesus em nós e no-lo dá.

O Pai lhe entregou seu Filho para que no-lo transmitivesse; o mundo era indigno de receber o Verbo diretamente de Deus; Maria foi nossa medianeira na Encarnação, e agora continua desempenhando este mister, pois ninguém chega ao conhecimento de Jesus Cristo nem abraça sua santa Lei, nem obtém o dom da fé que salva, senão pelas súplicas de Maria; sua missão, que Ela sempre desempenha com fidelidade, é nos dar Jesus; importa recebê-LO de suas mãos, e debalde O procuraríamos longe d’Ela. Além disso, Jesus só crescerá em nós por meio de Maria; todas as graças de progresso espiritual só nos advirão por seu intermédio, pois foi sob a direção maternal de Maria que Ele cresceu em Nazaré; Jesus quer fazer-nos seguir a mesma lei. Vede no Santo Evangelho como opera suas primeiras graças por meio de Maria e em união com Ela. Por intermédio d’Ela santifica João Batista; sob seu olhar, glorifica seu Pai e se faz nosso modelo em Nazaré: a seus rogos consolida a fé dos discípulos em Caná, e enfim na Cruz encarrega-A solenemente de nossa formação. É finalmente pro meio de Maria que Ele se aperfeiçoará em nós. A perfeição de Jesus em nós é a obra por excelência do Espírito Santo, mas, assim como este Espírito de amor quis realizar sua obra-prima, a Humanidade Santa de Jesus, por meio de Maria, assim também para estabelecer em nós a perfeita semelhança do Salvador e transformar-nos em outros tantos Cristos quer valer-se da cooperação de Maria.

Quanto mais encontra Maria numa alma, com tanto maior poder opera nela. Perguntai a todas essas almas santas nas quais reina soberanamente o amor de Jesus, perguntai-lhes onde o adquiriram e unanimemente hão de responder que foi em Maria.

Não possui Ela o segredo do espírito de Jesus? Sim; mais ainda: possui a plenitude desse Espírito, e é a perfeita imagem do Salvador, assim como o Verbo é a perfeita imagem do Pai.

A Maria compete dar-nos o espírito da família; para isso se reveste de todas as qualidades de Jesus, de todas as suas virtudes, e fazendo-as passar através do seu maternal coração, no-las torna mais suaves, mais fáceis e nos anima a imitá-las. Por meio do amor de Maria vamos até a santidade de Jesus; vivendo da santidade de Maria, viveremos também da santidade de Jesus.

III. Quão belo seria ver como Maria familiariza a criança com a idéia de Jesus, como infunde nos jovens sentimentos de generosidade para com Ele, e após havê-los preparado o disposto para a primeira comunhão, os guia mais tarde na escolha de um estado de vida conveniente e santo!

Essa educação dos jovens por meio de Maria exerce uma influência permanente em toda sua vida; efetuada pelo sentimento tão suave e encantador de seu amor e de sua piedade, causa-lhes uma impressão tão forte que nem mesmo uma vida desregrada conseguirá apagar, e desse modo conservarão sempre um sentimento de amoroso respeito para com Maria, ainda que algum dia venham a se olvidar de Deus.

A suave e excelsa imagem de Maria nos acompanha sempre na vida.

Feliz de quem recebeu d’Ela esta primeira educação; ser-lhe-á uma alavanca para retirá-lo do mal, e seu nome sempre despertará nesse coração uma vibração de amor.

É também Maria que faz a educação da virgem cristã, infundindo-lhe desde a infância sentimentos de piedade e de ternura para com Jesus, e que acende em seu coração a chama ardente do amor, nele excitando uma nobre ambição; mostra-lhe seu lírio imaculado, faz-lhe dele uma coroa, e apertando-a contra o peito, osculando-a casta e maternalmente, lhe diz: “Oh! Minha filha, sê um lírio, sê a esposa de meu divino Filho; dá-lhe teu coração e recebe seu anel virginal; olha para minha coroa, recebe em herança meu amor pela virgindade, e sê duplamente minha filha!”

Desse modo, Maria forma as virgens, as guarda e defende. Adducentur virgines post eam.Maria é a sua rainha.

Eis como a educação feita por Maria torna a piedade fácil e suave. O que Ela fez nos primórdios da Igreja, continua a fazê-lo até hoje.

Os Apóstolos, como nós, já possuíram a Eucaristia, porém a primeira educação não é dada pelo pai; uma educação feita sem os carinhos maternais, disso a ressentirá sempre. A santidade formada unicamente por Jesus é mais austera, formada por Jesus e Maria é mais afável; para prová-lo, temos São João e São Paulo. Seja, pois Maria quem nos leve a Jesus, sela Ela quem no-lo faça conhecer e amar, assim como O conheceu e amou. Nisto consiste a santidade e a felicidade.

* * *

Maria ama Jesus em nós

Maria nos cerca mui particularmente com sua ternura maternal quando possuímos Nosso Senhor em nosso coração, porque contempla em nós o seu diletíssimo Filho.

Santa Oportuna, abadessa, pediu, no leito de morte, para receber o Sagrado Corpo de Nosso Senhor, e comungou com tanta devoção, que não somente Jesus lhe deu as mais tocantes provas de amor, mas também a Santíssima Virgem se dignou aproximar-se de seu leito para consolá-la e dar-lhe o seu auxílio nesse último combate. A piedosa abadessa lhe confiou então as suas filhas espirituais e os interesses de seu mosteiro. E, estendendo os braços para Maria, num gesto de estreitá-LA ao coração, depositou em suas mãos a vida, exalando o suspiro final.

(Nicolau Laghi, trat. II, c XLVII).

PRÁTICA – Suplicar a Maria para que todos os agonizantes recebam o Sagrado Viático.

JACULATÓRIA – Salve ó Maria! Nuvem celeste que espalhais a Eucaristia sobre o mundo, como um orvalho benfazejo.

Obs.:Trecho extraído do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bem aventurado Pedro Julião Eymard. O mesmo pode ser baixado no blog alexandriacatolica.blogspot.com.br

Décimo sexto dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

Grão_Vasco,_Pentecostes,_da_capela_da_portaria_do_mosteiro_de_Santa_Cruz_de_Coimbra,_1534-35,_assinada_Velasco

Maria, Nossa Mãe, no Cenáculo

(Act I, 14.)

I. Nossa bela partilha consiste em honrar por um culto todo particular a vida de Maria no Cenáculo, inteiramente dedicada ao serviço e à glória da adorável Eucaristia. É preciso que nos penetremos de seu espírito e de seu amor, a fim de que possamos tributar ao nosso Divino Salvador, presente entre nós, um preito de adoração mais perfeito e agradável, em união com aquele que Lhe prestava sua Mãe Santíssima. Com efeito, para nos tornarmos bons servos da Eucaristia, devemos ser filhos dóceis e dedicados desta Mãe querida. Não foi um título quimérico que Jesus Crucificado nos conferiu sobre o Coração de Maria Santíssima; e, por este testemunho de amor, ocupamos o lugar de Jesus no Coração de sua Mãe, que desde aquele instante começou a nos amar como verdadeiros filhos.

Penetrai-vos, pois, do espírito de Maria, que é o mesmo de Jesus, visto que Ela o hauriu em sua fonte divina, e está inundada desta graça para no-la comunicar. É a única e fiel cópia das virtudes de seu Filho, pois que trabalhou durante 33 anos tendo diante dos olhos o original divino. Além disso, Maria possui o conhecimento de todos os segredos do amor de Jesus para com os homens, amor do qual compartilha. Oh! Quão ternamente esta boa Mãe nos ama, e com que dedicação! Sim, Maria nos ama como somente poderia fazê-lo Mãe tão solícita e poderosa!

II. A grande missão de Maria consiste em formar Jesus em nós; foi a missão que Ele próprio lhe confiou no Calvário.

Quando, aos pés da cruz, teria preferido morrer com seu Filho, no momento em que a chama de amor do seu coração virginal envolvia o Corpo de Jesus, Ele parece dizer-lhe, confiando-lhe São João: “Por meu sacrifício, me torno Salvador e Pai da grande família humana, mas esses pobres filhos, ainda tão inexperientes, necessitam de uma devotada Mãe; desempenhai para com eles esta missão, ó mulher forte, amai-os como me haveis amado e como Eu os amo. Por eles me fiz homem e ainda por causa deles meu Pai Celestial vos fez minha Mãe, e é por eles que dou meu sangue e minha vida. Amo-os mais do que a Mim mesmo, e lhes transmito todo o direito que tenho ao vosso amor materno; tudo quanto lhes fizerdes, a Mim o fareis; deponho em vossas mãos o fruto de minha Redenção, a salvação dos homens, o cuidado de minha Igreja e o serviço de meu Sacramento de amor. Formai-me adoradores em espírito e em verdade, que me adorem como vós, que me sirvam como me servistes, que me amem como me tendes amado!”

Foi este o último legado de Jesus, assinado com seu sangue e ratificado pelo Coração de Maria, sua divina Mãe. Com Jesus Ela havia subido ao Calvário para morrer com Ele; desce agora com o discípulo, seu Filho de adoção, e com as santas mulheres, suas filhas, e se dirige ao Cenáculo da Eucaristia para nele iniciar sua maternidade cristã, aos pés do Divino Sacramento. E será Ela quem há de organizar a corte de honra de Jesus Eucaristia, formando-lhe bons e dedicados servos.

Oh! Não duvideis! Se entrastes no Cenáculo, se tendes a felicidade de conhecer, de amar e de servir o Santíssimo Sacramento, deveis esta graça a Maria. Foi Ela que vos pediu ao Pai Celestial para a guarda de amor do Deus da Eucaristia; foi Ela que vos conservou puros no meio do mundo e que vos conduziu pela mão aos pés do trono Eucarístico.

Agradecei muito a esta boa Mãe; a Ela deveis todas as vossas graças, e entre todas, a maior, que é esta de amar e servir o Rei dos reis em seu trono de amor, consagrando-Lhe toda a vossa vida!

* * *

É Minha Mãe

É conhecido o terno amor que Santo Estanislau de Kostka consagrava à Santíssima Virgem. Quando lhe perguntavam o motivo dessa afeição, respondia, com o olhar ardente e a voz comovida: “É minha Mãe!” Ora, aconteceu que, antes de entrar na Companhia de Jesus, esteve ele gravemente doente, e como se achava hospedado em casa de hereges, não podia receber o Santíssimo Sacramento. Mais do que a doença que lhe consumia o corpo, era esta privação um tormento para a sua alma, cheia de amor para com a Eucaristia. Recorreu então a Santa Bárbara, padroeira dos agonizantes, e sua prece foi atendida sem demora: a santa apareceu cercada de anjos, que administravam a Estanislau a Sagrada Comunhão. E Maria, que velava por esse filho privilegiado, quis lhe manifestar, de um modo sensível, Aquele que recebera sob os véus do Sacramento. Trouxe nos seus braços o Menino Jesus, colocando-O sobre o leito do doente. É impossível descrever o ardor, o respeito, a ternura e a consolação que o santo jovem experimentou, vendo o seu leito ornado com essa flor tão preciosa. Desde esse momento a doença começou a declinar, e dentro de pouco tempo estava ele completamente restabelecido, graças ao contato com o Autor da vida.

(Vida dos Santos, 15 de agosto).

PRÁTICA – Tributar a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento o respeito, os obséquios e o amor de um verdadeiro filho.

JACULATÓRIA – Sois vós, ó Maria amabilíssima, que alimentais os vossos filhos com o Pão imortal!

Obs.:Trecho extraído do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bem aventurado Pedro Julião Eymard. O mesmo pode ser baixado no blog alexandriacatolica.blogspot.com.br