Vigésimo sexto dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

la_vierge_au_lys

O Esposo Divino e o Rei dos Corações

I. Em sua adoração Maria se aplica em glorificar todos os estados de Jesus, exaltando-O sob os títulos que Lhe são mais caros e que estabelecem mais perfeitamente seu império sobre o coração dos homens.

Maria adorava Jesus na qualidade de Esposo das almas. A união é o fim do amor; dando-se, substancialmente, na Eucaristia, Jesus vem unir-se às nossas almas como a suas Esposas diletas; como verdadeiro Esposo lhes concede todos os bens, seu nome, seu Coração, toda a sua Pessoa, porém, a título de correspondência, a alma sua esposa só para Ele deverá viver; Jesus é um Deus cioso: ai de quem Lhe arrebatar a esposa de seu coração.

Maria celebrava jubilosamente, como sendo sua Mãe, as bodas de seu amantíssimo Filho; como outrora em Caná prevenia a pobreza e a confusão dos esposos, assim adorna a alma fiel com todas as suas virtudes, a fim de que Jesus a encontre digna d’Ele. Oh! Sim, a melhor preparação para a Comunhão é a que se faz por intermédio de Maria. Não compete à mãe adornar a filha para os seus esponsais? Para isso, se desfaz de tudo nesse dia. Quem poderá exprimir os cuidados que toma essa bondosa Mãe das esposas do Deus da Eucaristia, principalmente para conservar a pureza de seu coração, a fim de que o celeste Esposo possa encontrar nelas as suas complacências.

Porém Jesus é também Esposo da Igreja, cuja virgindade fecunda o faz Pai da nova geração dos filhos de Deus. Maria adorava pois, igualmente, a Jesus, como Esposo da Igreja, e a esta amava como filha sua, visto que estava unida a seu amado Filho com um vínculo indissolúvel. De bom grado Maria teria dado a vida pela Igreja; Ela a protegia e defendia com suas incessantes preces, acompanhava seus progressos e partilhava de suas angústias, sofrendo com ela e por ela; porém, ao mesmo tempo que Maria era Mãe da Igreja, era também sua carinhosa filha. Como o mais submisso dos fiéis, obedecia a Pedro, a João e aos demais Sacerdotes; Maria honrava as cerimônias sagradas e adorava a Jesus por intermédio da Igreja com seu culto, suas orações litúrgicas, por meio do seu Sacerdócio, e em união com todos os seus filhos. Oh! Que bela adoração aquela que reunia Nossa Senhora com os fiéis aos pés do Santíssimo Sacramento. O céu poderia invejá-la, pois Maria era na Igreja como o sol em meio dos astros, e por Ela devia Deus deleitar-se na terra e Jesus em seu Tabernáculo. Era o céu do amor!

II. Ademais, Maria adorava a Jesus na sua qualidade de Rei; a Santíssima Eucaristia constitui a realeza do Salvador; é por ela que Jesus reina nos corações e nas sociedades. Para conseguir triunfar do homem, a verdade tem que ser insinuada por meio da Eucaristia, a fim de revestir-se de suavidade tornando-se persuasiva e tocante. Quando o homem ainda não comungou, possui somente a fé proveniente da verdade e não a do amor, nem desfruta o gozo e a suavidade da fé; já terá encontrado a Jesus em seu caminho e terá conversado com Ele, porém sem conhecê-LO; somente a Eucaristia será capaz de lhe revelar em toda a sua força e esplendor Jesus Cristo e todos os segredos da fé. Na Eucaristia, portanto, Jesus é o Rei da verdade.

Em relação às virtudes, pode-se dizer o mesmo precisamos da Eucaristia para que elas reinem definitivamente num coração; necessitamos da comunhão para torná-las amáveis, dulcificá-las e beatificá-las no amor de Jesus. É mister que Jesus se dê a mim, para que seu amor me subjugue, enquanto Ele vai me repetindo: “Meu filho, dá-me teu coração!” Só na Eucaristia o amor de Jesus é regiamente servido porque tem aí um palácio, uma corte e um séquito de adoradores.

Maria adorava pois a Jesus como seu Rei; não já em sua pobre e fugaz realeza de Belém ou do Egito, nem mesmo como a seu Rei crucificado no Calvário, porém em sua realeza perene, no seu trono de glória, embora velado, invulnerável aos golpes de seus inimigos, invencível em sua vitória, glorioso no triunfo do seu amor. A Santíssima Virgem via realizada a palavra do Anjo: “reinará sobre a casa de Jacob e seu reino não terá fim.” Nossa Senhora via também multiplicarem-se os tronos eucarísticos, via cada cidade e cada aldeia transformar-se numa corte e oferecer a Jesus um palácio; via que no mundo todas as virtudes haveriam de florescer pelo Santíssimo Sacramento, formando a coroa régia do Deus que as inspira e as sustenta com sua própria substância. Ah! Quantos suspiros e preces brotaram do coração de Maria no Cenáculo pela extensão do reinado eucarístico de Jesus! Ela implorou, e foi-lhe dado contemplar no decorrer dos séculos a difusão da Eucaristia por toda a parte bem como o triunfo do amor de Jesus.

Enfim, Jesus seria amado, a Eucaristia cativaria o amor dos corações e esta divina chama envolveria a terra, renovando sua face.

Oh! Sim, divino Rei! Reinai soberanamente sobre meu coração e sobre minha vida como reinastes sobre vossa Mãe Santíssima. Vossa verdade será meu estandarte de honra, vossas virtudes minhas armas, vosso amor minha palavra de ordem, e o fruto de minha vitória, vossa maior glória eucarística.

É a ardente súplica que meu coração formula por meio de Maria, a Rainha do Cenáculo e a Mãe dos adoradores.

* * *

A Rainha Misericordiosa do Purgatório

O mais poderoso meio de socorrer as pobres almas que sofrem no Purgatório é mandar celebrar a Santa Missa em sua intenção. Quando, porém, se depositam os frutos infinitos do Sangue de Jesus nas mãos de Maria para que Ela os aplique no alívio desses caros irmãos padecentes, tem-se quase por certa a sua libertação.

Um bom e fervoroso religioso apareceu, depois de sua morte, a um de seus irmãos e lhe disse que estava sofrendo as penas do Purgatório, não tanto a pena dos sentidos, mas a privação de Deus. Pediu-lhe que obtivesse do Prior permissão para dizer, na Santa Missa, uma Oração por sua alma.

Satisfeita sem demora a súplica do religioso, o próprio Prior viu, sob o manto de Maria, a alma do caro irmão, cheia de felicidade, levada ao céu em triunfo por esta boa Mãe, como conquista gloriosa de seu amor.

(Nicolau Laghi, t. III.)

PRÁTICA – Pedir incessantemente a Maria pela extensão do reinado eucarístico de Jesus Cristo em todo o mundo.

JACULATÓRIA – Ó Coração Imaculado de Maria, tálamo nupcial onde o Divino Esposo encontra suas delícias, abrasai-nos do amor que vos consome!

Obs.:Trecho extraído do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bem aventurado Pedro Julião Eymard. O mesmo pode ser baixado no blog alexandriacatolica.blogspot.com.br

Sobre Débora Maria Cristina

email para contato: aformacaodamocacatolica@gmail.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: