Vigésimo oitavo dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

Maria e Jesus

Vida de união de Maria com Jesus

I. A Santíssima Virgem vivia na Eucaristia. Quem ama verdadeiramente pensa, deseja, trabalha, se regozija ou se entristece na pessoa amada; esta constitui seu centro natural de vida. Jesus, com efeito, disse: “Onde estiver seu tesouro aí também estará seu coração” e aos Apóstolos: “Permanecei em mim, permanecei em meu amor, assim como Eu permaneço no amor de meu Pai.”

A Santíssima Virgem permanecia pois na divina Eucaristia, centro de seu amor; todos os seus pensamentos, palavras e ações daí provinham, como os raios dimanam do sol; a Eucaristia era o oráculo a quem consultava e a graça que seguia.

II. Jesus, no Santíssimo Sacramento, continua, ainda, a mesma vida de amor que O consumia durante sua existência terrena; em seu estado sacramental prossegue adorando o Pai por meio de seus profundos aniquilamentos; continua a exercer o seu ofício de mediador e intercessor junto ao Pai em prol da salvação dos homens.

Maria se unia, pois, à oração de Jesus; a isso acrescentava o exercício e os méritos das virtudes que Nosso Senhor em seu estado glorioso não pode mais praticar agora; ao estado de humilhação de Jesus Sacramentado, correspondia pela virtude e pelos atos de humilhação; a seu estado de vítima, pelos sofrimentos atuais; a seu estado de propiciação, pelos atos de sacrifícios voluntários; para honrar a vida oculta de Jesus, Maria se aniquilava procurando não ser mais que uma simples aparência humana da qual todo o ser e toda a substância está mudada e transformada em Jesus Cristo; Maria é pobre como Jesus Sacramentado, e até mesmo mais, porque pode experimentar as privações reais da indigência. A exemplo de Jesus, a Virgem Santíssima obedece, e honra sua obediência sacramental submetendo-se ao último dos ministros da Igreja; e para imitar a docilidade de sua obediência tão simples e pronta, se considera feliz de obedecer, atende pressurosa ao primeiro sinal: numa palavra, Maria completa em si própria a vida eucarística de Jesus Cristo.

Ademais, a Virgem Santíssima renova na Eucaristia todos os mistérios da vida do Salvador perpetuando sua gratidão e renovando-a com maior intensidade.

III. Tal deverá ser a vida do adorador, se desejar viver na Eucaristia.

Mas, para alcançar esta vida de união é mister libertar-se de toda a escravidão, dessa vida do amor próprio que só pensa em si, até mesmo no serviço de Deus; que só fala de si a Jesus, dos próprios interesses, de seus negócios, e não sabe entreter-se com Ele conversando sobre Ele mesmo e sobre os interesses de sua glória, e as necessidades de seu divino Coração; que não sabe conservar-se calmo e tranqüilo a seus divinos pés, contentando-se com Ele e nada mas desejando fora d’Ele; é preciso renunciar a essa vida de impaciência, que não sabe ouvi-LO, e nos torna semelhantes a mercenários que aguardam impacientemente seu salário ou a estafetas ansiosos por partir. São bem poucos os adoradores que se julgam assaz recompensados e felizes em permanecer com Jesus, ocupados em servi-Lo como os Anjos no Céu e a Santíssima Virgem no Cenáculo. Geralmente vê a seus pés somente mendigos ou febricitantes que lhe imploram socorro.

E, no entanto nos palácios vêem-se cortesãos que permanecem largo tempo junto ao Monarca sem fazer outra coisa mais do que ato de presença para homenagear assim a majestade do rei.

Ah! Esse é o reinado dos sentidos e não apresenta dificuldades; porém, na Corte Eucarística de Jesus, se requer o reinado interior do amor divino do qual se tem medo, e foge-se dele, preferindo-se exercitar a atividade. Jesus só não basta, a Ele deseja-se acrescentar mais alguma coisa. A Santíssima Virgem jamais perdia de vista a presença eucarística de seu Filho: só se entregava ao trabalho quando essa era a vontade manifesta de Jesus, julgando-se assaz ocupada em estar a seus pés e bastante recompensada em possuí-LO.

* * *

Os numerosos milagres operados na procissão do Santíssimo Sacramento em Lourdes

A ciência contemporânea à análise durante muito tempo, a água das piscinas de Lourdes, no intuito de encontrar o segredo das curas que ela opera. A temperatura, a composição da água, tudo, enfim, foi estudado. “Quem sabe, disse certa vez um romancista, se em certas circunstâncias um banho d’água gelada não será capaz de curar um tuberculoso?”

Eis, porém, que por um desses incompreensíveis jogos da Providência, o plano primitivo dos milagres de Lourdes parece bruscamente modificado. Não é mais somente na piscina, onde um certo mistério envolve o doente, mas em melo da procissão, ao ar livre, sob os olhares de mil testemunhas que as curam se efetuam.

Jesus Eucaristia, que até então estivera cativo e silencioso, sai do Tabernáculo, atravessa a multidão, e seus raios, mais refulgentes do que o ouro e as pedras preciosas do Ostensório, encantam os nossos olhos, reanimam os agonizantes em seus leitos, arrastando-os curados e triunfantes, em seu seguimento. Esses raios aquecem ainda os corações enregelados, despertam as energias de almas entorpecidas há longos anos. Milagres de cura, milagres de conversão, quem poderá contá-los?

E é de se notar que, depois de 1888, as manifestações prodigiosas e sobrenaturais vêm tomando, cada ano, maior vulto, e, de par com elas, tudo o que constitui a vida real das peregrinações se desenvolve. O número de peregrinos é sempre mais crescente, as comunhões se multiplicam, e isto porque se dirigem os fiéis à fonte de que se alimenta toda a vida sobrenatural.

Foi justamente em 1888 que se fez a estatística das curas pela primeira vez, efetuadas à passagem do Santíssimo Sacramento. Atingiram a proporção de 16% sete curas nas procissões por quarenta nas piscinas. Grande número desses milagres não tem o registro exato do modo e do lugar em que se efetuaram. Muitas vezes uma cura começa na piscina e termina na procissão; entretanto, é muito mais raro o caso contrário, isto é, que comece na procissão e se conclua na piscina. E, na maioria dos casos, na ausência de qualquer resultado na piscina, a cura se faz instantaneamente diante do Santíssimo Sacramento.

A primeira cura assim efetuada foi a de Nina Kin, moça de 22 anos, que saíra dos hospitais de Paris. Um garrafão de 25 litros de ácido sulfúrico entornou-se sobre ela, queimando-a profundamente. Os nervos da perna se comprimiram na cicatriz e havia dez meses que se achava impedida de fazer qualquer movimento com esse membro. Em vão se recorrera a todos os tratamentos: fricções, aplicações elétricas, tudo fora sem resultado. Nina Kin tomou parte na peregrinação nacional. Mergulham-na por duas vezes na piscina e ela não experimenta sequer um sinal de melhora. A 22 de agosto, estando deitada diante da gruta em seu colchão, o Santíssimo Sacramento passa ao seu lado; experimentando um impulso violento, levanta-se do leito, e se desvencilhando dos varões que a protegem reúne-se, num passo firme, à multidão que segue Jesus Sacramentado.

(Extraído de um relatório lido pelo dr. Boissaire no Congresso Eucarístico de Lourdes em 1898. – Cf. Nova compilação eucarísticos, pelo Pe. Eugênio Couet.)

PRÁTICA Aplicar-se em união com Maria a viver de comunhão e de ação de graças por meio do recolhimento interior.

JACULATÓRIA Ó Coração de Maria, trono magnífico do Deus oculto, sede exaltado no mais alto dos céus.

Obs.:Trecho extraído do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bem aventurado Pedro Julião Eymard. O mesmo pode ser baixado no blog alexandriacatolica.blogspot.com.br

Sobre Débora Maria Cristina

email para contato: aformacaodamocacatolica@gmail.com

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