Décimo quinto dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

NOSSA SENHORA E JESUS

Maria depois da Ressurreição

I. Maria tendo sofrido em união com seu divino Filho agonizante na Cruz, participou do seu gozo e felicidade depois da Ressurreição. A vida de Maria sempre acompanhou a de Jesus, reproduzindo-a fielmente.

Para quem foi a primeira visita de Jesus ressuscitado? Certamente para sua Mãe; era muito justo que tendo Ela partilhado mais do que outra qualquer pessoa as amarguras da Paixão, recebesse a primeira notícia, a primeira graça e a primeira alegria da Ressurreição, assim, apenas saído do sepulcro, Nosso Senhor vai visitá-la, glorioso e triunfante. Ao separar-se de sua Mãe, Jesus a deixara mergulhada em pranto; agora vem inundá-la de gozo. Que momento para a Santíssima Virgem, esse em que Jesus ressuscitado A abraça, com todo o respeito e amor que Ela merece! Quem poderá imaginar o que se passou nesse feliz encontro?! A Sagrada Escritura nada nos diz a respeito, mas podemos conjecturar as coisas mais sublimes. Que gloriosa recepção na pequenina cela de Maria! Somente a contemplação do amor nos poderá reproduzir o que se passou aí.

Sem dúvida, Jesus se manifestou à sua Mãe em toda a sua beleza de ressuscitado; nenhum dos Apóstolos teve a felicidade de vê-LO tão belo quanto Maria. O olhar da alma está em proporção com sua santidade. Maria penetrou, de certo, na beleza interior de Jesus, na perfeição de seu amor, na sua felicidade; deve ter contemplado, nesse momento, a glória da Divindade, pois que, segundo afirmam os teólogos, foi algumas vezes sublimada ao face a face com Deus. Nosso Senhor se entreteve com sua Mãe mostrando-lhe seus membros traspassados pelos cravos, esses membros que Ela beijara com tantas lágrimas, na descida da cruz, e agora resplandecentes. Das chagas das mãos e dos pés jorravam torrentes de luz, pois que, quanto mais haviam eles sofrido, tanto mais estavam glorificados. Maria deve os ter beijado em transportes de amor, sentindo o influxo das ondas de graça que emanavam deles; deve ter visto o Sagrado Coração de Jesus através da chaga do lado. Sim, Nosso Senhor lhe mostrou de certo o seu Coração agora reanimado, palpitante de vida, irradiando chamas de amor. Oh! E Maria O osculou com santa ternura; se São João, somente por haver reclinado a cabeça sobre esse Coração divino, oculto no corpo e sob as vestes, recebeu tantas graças, que terá sucedido a Maria, que O abraçou e beijou palpitando ao contado de seus lábios? E a Santíssima Virgem compreendeu nessa hora, melhor ainda, quanto sofrimento e glória, a morte e a vida, estão intimamente relacionados nos desígnios de Deus.

II. Mas Nosso Senhor, ao visitar Maria, não veio só: estava acompanhado do cortejo de todos os santos ressuscitados com Ele, de todos os patriarcas desde Adão até São José e o bom ladrão; vieram todos com o Rei triunfante, saudar sua Rainha. Adão e Eva, aos quais Deus prometera essa filha, essa Mãe do Messias Salvador, devem ter se prostrado aos seus pés, porquanto, depois de Nosso Senhor, Lhe deviam a graça do perdão; foi Ela quem lhes deu o Libertador. E às felicitações dos santos da antiga Lei, que lhe manifestavam sua gratidão por lhes ter dado um Salvador, Maria respondia com certeza: Magnificat – Minha alma glorifica ao Senhor porque Ele olhou a humildade de sua serva. E São José, São Joaquim e Sant’Ana, por acaso não vieram também fazer uma visita a tão celestial esposa e preclara Filha? A visita de Maria deve ter cumulado estes santos de um imenso júbilo: era um reflexo tão puro da luz de seu Jesus!

Finalmente, Nosso Senhor se separou de sua Mãe, deixando-A inefavelmente consolada e toda embalsamada pelo perfume de sua Divina Presença, para ir se manifestar à Madalena e aos Apóstolos. Mas, antes da Ascensão, é de crer que Ele tenha voltado várias vezes para visitar a Santíssima Virgem, recordando com Ela todos os acontecimentos, alegrias e dores de sua vida mortal!

III. Do silêncio dos Evangelistas acerca desta aparição e de todo o restante da vida de Maria devemos colher um precioso incentivo.

Depois de ter dado Jesus ao mundo, Maria se ocultou: era mister que ficasse na penumbra, a fim de se tornar o modelo das almas interiores e a padroeira da vida humilde e escondida. Após a Ressurreição de seu Filho, a sua missão é toda de amor e de oração. Nosso Senhor parece ter querido reservar para si o segredo da vida de sua Mãe; quis que Ela pertencesse unicamente a Ele.

Além desta, há uma outra razão. No Sacramento, Jesus se ocultara mais do que durante sua vida mortal, e Maria devia imitar esse estado, partilhar esse aniquilamento, essa vida escondida, que é a mais perfeita. Assim como Jesus se privava da palavra, do movimento e da ação sensível, no Sacramento. Maria não devia mais falar nem aparecer ao mundo, e porque Jesus se fizera prisioneiro, silencioso, Ela se consagrou a Lhe fazer companhia, no segredo de uma vida toda de oração. Sem esse estado da Santíssima Virgem, nós, adoradores da Eucaristia, não poderíamos encontrar n’Ela o nosso modelo. Maria porém, guardiã e Serva desconhecida do Santíssimo Sacramento, é nossa Mãe, e sua vida é nossa graça.

Assim como a luz e o calor do sol vão crescendo sempre até que ele chegue ao seu zênite, Maria se aperfeiçoava cada dia mais. Seus últimos anos foram impregnados de amor tão dilatado, tão profundo e tão elevado, que não podemos fazer dele a menor idéia.

A Ressurreição de seu Filho realizou na vida de Maria o prodígio de sepultá-la, transformando-a na vida ressuscitada de Jesus, vida toda interior, invisível, separada de todo o criado e unidade ininterruptamente a Deus. Imitai nisto a vossa Mãe: lembrai-vos de que, quanto mais interior, mais perfeita é a vida, e que o fogo concentrado se conserva, enquanto que, exposto, extingue-se depressa. Poucas são as almas que resolvem abraçar essa vida aniquilada, porque ela constitui a imolação suprema do amor próprio: é, porém, a partilha daqueles que, a exemplo de Maria, só desejam amar a Nosso Senhor e só d’Ele serem conhecidas.

* * *

O Céu conquistado por uma Santa Missa em honra de Maria

Um famoso salteador jejuou um certo sábado e mandou celebrar uma vez o Santo Sacrifício em honra de Maria, a fim de obter sua conversão na hora da morte.

Vede até que ponto chega a misericórdia desta boa Mãe! Dignou-se aparecer a esse miserável dizendo-lhe que rogara a Jesus por sua salvação, e que seu Filho lhe prometera fazê-lo pronunciar cinco palavras de arrependimento que o salvariam. Pouco tempo depois, o malfeitor foi preso e condenado à forca. Maria, porém velava sobre ele, lembrando-se da Missa que fizera celebrar em sua honra. Assim, no momento em que o conduziram ao suplício, obteve Ela que Nosso Senhor lhe infundisse tanta contrição, que pronunciou com uma verdadeira dor estas palavras:

Domine, propitius esto mihi peccatori: Senhor, sede propício a este pobre pecador”. E lhe foi concedido o perdão total de seus crimes e a salvação eterna de sua alma.

( Nicolau Laghi, trat. VI, c. LXXVIII).

PRÁTICAEm união a Maria, viver da vida ressuscitada do Jesus no Santíssimo Sacramento.

JACULATÓRIASalve, ó Maria, urna de ouro puríssimo, que encerrais a própria doçura, Jesus-Hóstia, o maná de nossas almas!

 Obs.:Trecho extraído do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bem aventurado Pedro Julião Eymard. O mesmo pode ser baixado no blog alexandriacatolica.blogspot.com.br

Sobre Débora Maria Cristina

email para contato: aformacaodamocacatolica@gmail.com

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