Undécimo dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

desterro

Maria em Belém

(Luc. II. 1 e seg.)

O mistério de Belém é cheio de doçura e de amor. Pode-se dizer que Jesus se manifesta nele mais amável do que no Calvário. Penetrai bem nas disposições da Santíssima Virgem.

I. Uni-vos à sua expectativa antes do nascimento de seu Filho, nas horas que precedem esse feliz acontecimento; a seu exemplo, redobrai de fervor e de amor; uni-vos ao seu recolhimento, e lede em suas disposições esta sublime lição: que é necessário servir a Nosso Senhor como Ele deseja ser servido e não como nós queremos.

Com efeito. Nossa Senhora tinha conhecimento, pelas profecias, de tudo o que seu divino Filho deveria sofrer, e antecipadamente se dispunha a servi-lO como Ele quisesse e a segui-lO por toda a parte; imitai essa verdadeira dedicação, esse ardente amor.

Devia parecer muito natural a Maria que Jesus nascesse num belo palácio, ou, pelo menos, como a maioria das crianças, num certo conforto. Mas não há de ser assim; Ele nascerá numa gruta, na concavidade de uma rocha, onde Maria e José, repelidos por todos, se refugiaram. A desolação de São José deve ter sido profunda; como chefe de família, cabia-lhe o dever de encontrar um abrigo para sua santa Esposa, e é fácil de imaginar a sua ansiedade e o seu desconsolo quando, rechaçado em toda a parte, viu-se obrigado a conduzir Maria, no momento de dar à luz, a esse pobre recanto. Maria, porém, se reputava feliz mesmo no meio dessas repulsas: possuía Jesus em seu bendito seio, e sabia que era Ele próprio quem permitia serem assim repelidos e ignorados, e os conduzia ao estábulo onde determinara nascer.

É sempre deste modo que Deus realiza seus desígnios. O homem se agita, procura recursos humanos, e quando esgotou em vão todos os meios, o Senhor o conduz onde Lhe apraz. Deus permite que solicitemos debalde o auxílio do homem a fim de que, como Maria e José, nos entreguemos a Ele, e deixemos que nos conduza. É pela prática deste santo abandono que melhor experimentamos a bondade de Deus, que então cuida de nós, e nos aproximamos d’Ele como os filhos se acercam de seus pais, sem a menor inquietação. Quando, pelo contrário, somos bem sucedidos, procedemos de outro modo: embora a Providência se manifeste claramente, confiamos muito mais em nossos próprios recursos do que nos auxílios divinos. Os israelitas recebiam maiores favores no deserto do que na terra prometida, e Deus estava mais perto deles; Jesus também se mostrou mais atraente em seu presépio de Belém ou na casinha de Nazaré do que em sua vida pública, entre as inúmeras maravilhas que operava.

II. E quando Jesus nasceu, oh! Avaliai, se puderdes, as adorações, as homenagens, os carinhos de Maria para com seu divino Filho! Adorai a Jesus repousando em seus braços ou adormecido em seu regaço. Que belo ostensório, fabricado com esmero pelo próprio Espírito Santo! Que pode haver de mais belo do que Maria, mesmo considerada só no exterior? É o lírio puríssimo, o lírio do vale, cândida como ele, e que germinou em uma terra imaculada. Maria é o paraíso de Deus! Vede qual a flor que nele desabrocha: Jesus, a flor de Jessé! O fruto que produz: Jesus, o trigo dos eleitos! Penetrai na alma de Maria, contemplai-lhe a beleza, capaz de fazer nossa felicidade eterna, quando a conhecemos bem! Quanto se deleitou Deus em embelezar Maria! Eis o ostensório do Verbo nascido! Eis o canal por onde nos vem Jesus!

Oh! Sim, a Eucaristia começa em Belém e entre os braços de Maria. Foi Ela que trouxe à humanidade faminta o único pão que a poderia saciar, e será ela quem no-lo conservará! Ovelha divina há de se sustentar com seu leite virginal o Cordeiro cuja carne vivificante será o nosso alimento um dia. Prepara-O para o sacrifício, pois seu destino lhe foi desde já manifestado, e dentro de poucos dias será mais confirmada na certeza de que Ele nasceu unicamente para ser imolado. Maria aceita esta Vontade de Deus a seu respeito, e sustém nos seus braços a Vítima do Calvário e de nossos altares. No dia do sacrifício, conduzirá seu divino Cordeiro a Jerusalém e O entregará à Justiça divina pela salvação do mundo. Como assim?! Belém anuncia então o Calvário?! Certamente Maria ouviu essas primeiras palavras de seu Filho: “Pai, não quereis mais os sacrifícios da lei: eis-me aqui!” E uniu-se à oferenda e à imolação antecipada de seu divino Filho.

III. Há entretanto, também alegrias em Belém, e muito suaves. Os pastores, almas singelas, vêm adorar o Menino Deus. Maria se compraz nas homenagens simples mas sinceras que eles tributam a Jesus.

Dias depois, chegam os Magos. – (Math. II. 1.) – trazendo seus presentes régios, que unem ao preito de suas adorações; e encontram Jesus nos braços de Maria, que O apresenta ao seu amor.

Oh! Quantas vezes tendes desfrutado a mesma felicidade que os Magos! Quão feliz se sente a alma fervorosa quando encontra Jesus junto a Maria, sua Mãe!

Aqueles que conhecem o Tabernáculo onde Ele reside, e os que O recebem em suas almas, sabem que sua conversação é impregnada de suavidade divina, que sua consolação é arrebatadora, superabundante a sua paz, e inefáveis as ternuras de seu amor e de seu Coração.

Encontrar Jesus nos braços de Maria, unir-se aos sentimentos da Virgem quando O estreitava ao coração, ó delicioso momento! Que, porém, é tão fugaz quanto a alegria do Tabor! Momentos em que se esquece tudo, em que nada mais se deseja, nem mesmo o céu, porque dele já se goza, tendo Jesus e Maria!

* * *

Os santuários da Eucaristia multiplicados pelos cuidados da Santísssima Virgem

Se a Santíssima Virgem inspira a tantos de seus devotos servos lhe dedicarem peregrinações e construírem templos em sua honra, é fora de dúvida, com o intuito de multiplicar os tabernáculos de seu Filho, o Deus da Eucaristia. Temos disto um precioso testemunho na história da construção da Igreja de Nossa Senhora de Laus, engastada nos Alpes. Dirigiu-se Maria a uma piedosa pastora, que escolhera para instrumento de suas graças, dizendo-lhe: “Desejo que se construa aqui uma Igreja em honra de meu querido Filho, onde muitos pecadores e pecadoras hão de encontrar conversão”. A Igreja foi edificada com o óbolo do pobre e Maria, procurando novamente a moça, lhe disse; “Meu Filho deu-me este lugar para a conversão dos pecadores”.

E a tradição do Laus nos assegura que jamais um pecador saiu deste bendito Santuário sem se haver reconciliado com o divino Filho desta Mãe dulcíssima que o esperava no seu Tabernáculo, verdadeiro trono de graça e de misericórdia.

(História das maravilhas de Nossa Senhora do Laus).

PRÁTICA – Pedir incessantemente a Maria que nos dê Jesus.

JACULATÓRIA – Salve Maria, Montanha santa onde o Cordeiro Eucarístico encontrou abundantes pastagens!

Sobre Débora Maria Cristina

email para contato: aformacaodamocacatolica@gmail.com

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