Oitavo dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

Um olhar que cura

Grandeza da maternidade de Maria

Maria, Mãe de Jesus, Filho de Deus! Maria de qua natus est Jesus, eis o sublime elogio que o Evangelho faz da Santíssima Virgem. O Espírito Santo não louva os seus dons nem as suas virtudes; contenta-se em apontar o princípio divino, a lei de conveniência desses dons e virtudes, isto é, a maternidade divina. Maria recebeu todas as graças e todas as honras porque devia ser Mãe de Deus, e esse título diz tudo de Maria, narra-lhe todas as grandezas.

I. Veio Ela reerguer o gênero humano, restituindo à Mãe a coroa de glória e de nobreza que Eva perdera pelo pecado. Satanás destronara nossa primeira mãe, Maria a reabilita. Representada pelos nobres figuras da antiga lei, Judite, Ester, Débora, Maria se apresenta como Rainha e libertadora. Por esta razão, o Anjo A saúda como profundo respeito, sem se atrever a pronunciar seu nome: Ave gratia plena. Notai a diferença entre a linguagem do anjo à verdadeira mãe dos viventes, e a do serafim decaído à nossa infeliz Eva.

Maria é a habitação de Deus: traz consigo o Salvador do mundo, o foco do amor, Aquele que vem trazer a paz aos homens, enquanto Caim, o primogênito de Eva, é um pecador, um fratricida.

Maria recebe as homenagens dos pastores e dos reis dos pobres e dos ricos; sua qualidade de Mãe do Messias a constitui soberana do universo e o próprio Filho de Deus A reconhece como sua verdadeira Mãe, tributando-lhe todos os deveres de um bom filho; e nos dá assim o exemplo perfeito da observância deste mandamento: “Honrar pai e mãe”.

II. Eva, por culpa própria, perdeu a liberdade e o poder, sub potestate viri eris; “Ficarás diz-lhe o Senhor, sob domínio do homem”; e desde então a mulher se tornou escrava ou tutelada do homem.

Eis, porém a mulher forte, a mãe por excelência! A mãe deve ter direito sobre seu filho, seja ele rei, ou seja, Deus, e por isso Maria manda em Jesus. E Aquele diante de quem as potestades celestes tremem, obedece a Maria. Somente Ela O governa, Lhe fala em público, reivindica seus direitos de mãe: Fili, quid fecisti nobis sic? (Luc. II, 48.) Compreendeis agora o poder de Maria? Foi Ela que, em Caná, desligou a onipotência de Jesus e Lhe deu, de algum modo, o gozo da maioridade. Coroa de soberania é, portanto, o segundo privilégio da maternidade divina.

III. Esta graça ainda confere a Maria uma coroa de glória. Eva, por sua ambição, perdeu toda a glória; foi expulsa vergonhosamente do paraíso e condenada a conceber na dor e na ignomínia.

Maria Santíssima concebe o Salvador na alegria, sem conhecer as dores da maternidade. Ao passar em seu bendito seio, o Salvador deixa nele os vestígios de sua glória, e Maria se torna então Rainha, por ter dado ao mundo Jesus Rei.

Rainha dos Anjos e Rainha da Igreja verá os soberanos depositarem a seus pés os seus impérios, os povos lhe confiarem a própria salvação, e em todo o lugar em que se oferecer um trono a Jesus, terá igualmente o seu. O altar de Maria estará sempre ao lado do de Jesus!

Eis a honra, o poder e a glória da maternidade divina: Maria é venerada, é poderosa e gloriosa em Jesus e por Jesus; é sua divina Mãe!

* * *

O Concílio de Éfeso

Houve um Bispo de Constantinopla, chamado Nestorius, que ousou dizer que a Santíssima Virgem não era Mãe de Deus.

“É a Mãe de Cristo, dizia ele, isto é, de um homem a quem o Filho de Deus se uniu.” E atreveu-se a pregar este seu erro do alto do púlpito, aos fiéis de Constantinopla; mas o povo protestou indignado, exclamando que Jesus Cristo era Deus e não um homem simplesmente, e que a Santíssima Virgem sendo sua verdadeira mãe, era portanto, Mãe de Deus. O caso foi submetido ao Papa, chefe dos Bispos e juiz infalível nas questões de fé.

São Celestino I, o Papa reinante, convocou então na cidade de Éfeso, na Ásia Menor, um grande concílio geral de todos os Bispos, a fim de condenar a heresia de Nestorius.

No ano de 431, iniciou-se o Concílio, com grande solenidade. Desde manhã cedo o povo cercava a Igreja de Santa Maria, onde se deviam reunir os membros do Concílio. Os fiéis pediam em altas vozes que fosse vingada a honra da Santíssima Virgem. Nestorius, intimidado três vezes a comparecer diante do Concílio, não se apresentou. A casa em que ele se refugiara estava guardada por uma tropa de soldados que um certo conde, chamado Candídio, embaixador do Imperador, pusera à sua disposição.

Finalmente, à tarde, as portas da Igreja se abriram e São Cirilo, patriarca de Alexandria, legado do Santo Padre, proclamou o decreto do Concílio que declarava ser a Santa Virgem verdadeiramente Mãe de Deus, e que Nestorius, culpado de blasfêmia por ter afirmado o contrário, estava destituído de seu múnus pastoral, deixando assim de ser Bispo e Patriarca de Constantinopla.

No mesmo momento toda a cidade de Éfeso vibrou em cânticos de júbilo; por toda a parte se ouvia clamar: “Viva Maria, Mãe de Deus!” Ao saírem da Igreja, os Bispos foram levados às suas residências em triunfo, ao clarão de mil tochas. O ar se embalsamara com os perfumes que as senhoras, em honra dos Padres do Concílio, queimavam em caçoulas. A cidade foi iluminada de modo extraordinário, e a alegria dos filhos de Deus se estendeu em breve por todo o universo.

Nestorius ainda tentou resistir ao Papa e ao Concílio, porém o imperador, informado da verdade, o abandonou e condenou ao exílio; e o infeliz nunca se submeteu ao dogma e à autoridade da Igreja. Viveu ainda oito anos, com o rancor no coração e a blasfêmia sobre os lábios, morrendo miseravelmente, o corpo todo estragado e a língua, que blasfemara contra a Santíssima Virgem, dizendo e repetindo: “Seja anátema quem disser que Maria é Mãe de Deus”, foi devorada pelos vermes antes que ele exalasse o último suspiro.

(Mgr. De Ségur).

PRÁTICA – Receber frequentemente o Deus da Eucaristia como remédio à concupiscência e salvaguarda da pureza.

ASPIRAÇÃO – Salve, ó Maria, paraíso espiritual de Deus, onde floresceu o lírio perfumoso e imaculado, Jesus Eucaristia.

Sobre Débora Maria Cristina

email para contato: aformacaodamocacatolica@gmail.com

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