Sexto dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

A ANUNCIAÇÃO DO ANJO A MARIA.

A anunciação

(Luc. T.26 e seg.)

I. Ao meditarmos as circunstâncias do mistério da Anunciação, descobrimos em Maria as mais sublimes qualidades.

Que glória para Maria ter sido chamada a tomar parte nessa obra da Encarnação do Verbo, a mais grandiosa das obras divinas! Que sublimes virtudes nos ensina com seu exemplo!

Um arcanjo é enviado por Deus: o arcanjo da força divina, e vem trazer da parte de Deus uma mensagem a uma criatura. Foi esta a missão mais importante que a um mensageiro celeste coube desempenhar. E esse anjo baixa dos céus cheio de glória, belo como um astro, resplandecente dos raios da divindade.

A quem se dirige ele? Ah! Se o mundo tivesse sido informado da partida desse mensageiro celeste, sem dúvida teria procurado entre os ricos e poderosos do século o feliz mortal a quem era destinada a grande mensagem, porque o mundo julga de boa mente que a perfeição se encontra na grandeza. Mas o Anjo se dirige a uma virgem humilde, desconhecida, de quinze anos de idade, legalmente desposada com um modesto operário, e habitando uma casinha pobre, em cidade pouco conhecida e mesmo desprezada. Dirige-se a Maria! – Como é possível?! Tanto aparato para uma jovem de condição tão modesta?! – Sim. – O prestígio social desaparece bem depressa, não é? Isto serve de confusão para o orgulhoso espírito humano, que dá valor somente ao que tem, brilho, e apreço ao ouro e aos diamantes; mas, que é tudo isso? No dia do juízo final serão estas coisas calcadas aos pés como o lodo da terra, servindo de pavimento ao inferno. O Anjo se dirige, pois a uma virgem. Deus não estabelece intimidade senão com as almas puras; perdoa o pecador, mas se une tão somente às almas em que reina uma pureza extrema.

O Anjo se apressa em saudar Maria, porque, efetivamente, é inferior a Ela. Maria, nesse momento, é soberana, e desde que se tornou objeto dos desígnios divinos, tem nas suas mãos a sorte do mundo. Quão poderosa é, então, esta humilde virgem!

Ave, cheia de graça! É Maria a única cheia de graça entre as filhas de Eva. Quanto a nós, somos cheios de misérias do pecado original; Maria é pura como o Sol; Deus plasmou-A de uma argila especial, moldando-A com particular esmero.

O Senhor é convosco. – Sim, porque Ele habita na pureza de vosso coração como num paraíso de delícias, e vossas virtudes são flores que exalam em sua presença os mais suaves perfumes. A que hora apareceu o Anjo? O Evangelho não diz; pensam os comentadores que foi à meia noite, no instante em que termina um dia e começa outro. Maria é a aurora mística que separa as trevas da luz. A chegada do Anjo, estava em oração, suspirando pela vinda do Messias, o que se pode presumir, sem receio de errar, baseado em que Deus concede geralmente às almas um dom de oração em conformidade com a graça que lhes deseja comunicar, preparando-as para isto. Orai também vós com Maria, nessa hora solene da Encarnação, e, mais tarde, no Nascimento do Filho de Deus feito homem, e adorai em união com Ela o Deus que se encarna por vosso amor.

Maria se perturba. É próprio das virgens, diz Santo Ambrósio, perturbar-se à aproximação de um homem e recear suas palavras. Maria se perturba também com os elogios que lhe são dirigidos, se bem que os merecesse; a verdadeira virtude, porém, não se reconhece.

O Anjo tranqüiliza Maria. Eis o característico das visões divinas; a princípio, perturbam; depois, infundem a paz. Ao contrário, as visões diabólicas começam pela paz e acabam pela guerra.

Concebereis um filho a quem chamareis Jesus. Nome celeste, nome divino, que nenhum homem podia inventar, mas que devia ser trazido do céu por um Anjo. Este filho será poderoso, e chamado o Anjo do grande Conselho, o Forte, o Admirável.

A Santíssima Virgem porém dedicava um tal amor à virgindade que consagrara a Deus, que não acede logo. “Como se cumprirá esse mistério?” pergunta Ela. “Sou virgem, e virgem quero permanecer.” – Que momento! Maria tem, por assim dizer, os céus e a terra suspensos! Deus espera o consentimento dessa humilde donzela! Não podia dispensá-lo, e Maria, nesse instante, é mais poderosa que o próprio Deus. Como pode o Senhor submeter-se a essa espécie de inferioridade diante de Maria? Ah! Porque a tudo mais Ele preferia a virgindade de sua Mãe!

O Anjo cede, pois, em nome de Deus. Maria triunfa e ouve estas palavras: “A virtude do Altíssimo vos cobrirá com sua sombra, e, vos tornando Mãe, permanecereis virgem.”

E Maria responde: Esse ancillla Domini – Eis aqui a Serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra. – Oh! Palavra profunda, palavra admirável e cheia de humildade! Quantas coisas se encerra nesse Ecce! Quando a Igreja vos apresenta a sagrada Hóstia antes da Comunhão, vos diz: Ecce agnus Deis; quando São João quis mostrar Nosso Senhor a seus discípulos, também lhe disse: Ecce.

É porque esta palavra encerra o dom completo de si mesmo. Eis-me aqui inteiramente à disposição do Senhor. É um ato de fé perfeito.

Maria não diz: “Eis aqui a Mãe do Senhor, se bem que assim fosse no mesmo instante; quanto mais Deus eleva os santos, tanto mais se tornam humildes. Com muita razão pode São Bernardo dizer de Maria: Virginitate placuit, humilitate concepit. Tornou-se agradável ao Senhor por sua virgindade, e O concebeu por sua humildade.

Notai a sobriedade das palavras de Maria; apenas diz o estritamente necessário; o silêncio e a modéstia são a salvaguarda da pureza.

O Espírito Santo opera então em Maria sua obra divina. O consentimento dessa pobre donzela transformou a face da terra. Deus reassume o seu domínio: vai recomeçar suas relações com os homens de um modo mais perfeito e mais duradouro do que no paraíso terrestre.

Este mistério nos enobrece, trazendo Deus à terra. É no mesmo tempo um mistério todo interior, um mistério de comunhão. Na santa Comunhão, Jesus Eucaristia se encarna em nós de uma certa maneira, e a Comunhão é o fim de sua Encarnação. Ao comungarmos dignamente, entramos em plano divino e o completamos. A encarnação prepara e anuncia a Transubstanciação.

Maria não recebe o Verbo somente para si; comprar-se em que participemos de sua felicidade. Uma-mo-nos pois, à Virgem quando recebemos Jesus, entoemos seu Magnificat; grandes coisas operou n’Ela o Senhor, nesse mistério, e vindo a nós também realiza grandes coisas.

Oxalá possamos imitar suas virtudes, a fim de que Jesus Cristo encontre em nós, como em sua santa Mãe, uma digna e agradável morada!

* * *

A Santíssima Virgem recompensa Santo André Corsini por sua devoção para com a Santa Eucaristia

Santo André Corsini, já ilustre por suas virtudes e santidade, foi, por insistentes pedidos de seu povo, e não obstante as resistências de sua humildade, elevado às sagradas Ordens. Apesar dos desejos de seu pai de que a sua primeira Missa fosse celebrada na Matriz da cidade, com toda a pompa possível, o Santo obteve de seu Superior licença para oferecer seu primeiro Sacrifício em um convento solitário e perdido no meio do bosque, onde pôde então se abismar no amor da Hóstia Santa que imolava. A atitude corajosa do Santo foi tão agradável a Maria que, lhe aparecendo logo depois da Comunhão, lhe disse: “És meu servo, eu te escolhi e me glorificarei em ti, André.”

Esta boa Mãe nos manifesta, por esta graça, o prazer que lhe causam o nosso respeito e amor para com seu divino Filho presente no Santíssimo Sacramento. (Bolland. 5 fevereiro).

PRÁTICA – Evitar toda palavra, movimento brusco e dissipação na presença do Santíssimo Sacramento.

JACULATÓRIA – O fruto de meu seio. Jesus-Hóstia, é mais precioso do que todo o ouro e prata do mundo. Et fructus meus pretiosior Auro et argento. (Eccles.)

Sobre Débora Maria Cristina

email para contato: aformacaodamocacatolica@gmail.com

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