Quarto dia de meditação do Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

Natividade de Nossa Senhora 05deAgosto(1)

A Natividade da Santíssima Virgem

I. Alegremo-nos e saudemos jubilosos o berço de Maria. O nascimento de nossa Mãe e Soberana faz a alegria do Céu, a consolação da terra, e o terror do inferno. Eis que aparece a mulher forte, a Mãe predestinada do Messias.

O lugar e as circunstâncias de seu nascimento são desconhecidos, mas é de crer que tenha nascido na pobreza, como seu divino Filho, e em Jerusalém. Santa Ana e São Joaquim eram pobres, e viviam do dizimo do Templo, como pertencentes à família levítica. Maria porém, nasce com a auréola de grandezas que ultrapassam todas as riquezas das filhas deste mundo.

II. Maria possui todas as dignidades humanas; nasce filha, irmã e herdeira dos Reis de Judá. O Verbo quer que sua Mãe pertença à estirpe real; quer, segundo a carne, ser irmão de reis, a fim de mostrar sensivelmente que d’Ele procede toda a realeza; por isso, os próprios reis virão adorá-lO como a seu Senhor e soberano dominador. Sua Mãe é portanto, rainha. É verdade que, assim como seu Filho será um rei sem domínio terrestre, sem riquezas, nem exércitos, Ela também será pobre e desconhecida; tudo isto não constitui a realeza, mas somente o seu esplendor; o direito subsiste ainda mesmo quando não é reconhecido. Aliás, dia virá em que a realeza de Maria, bem como a de seu Filho, há de ser proclamada e honrada: a Igreja a saudará como sua Rainha, a Rainha do céu e da terra. Salve Regina! O anjo anunciará: “Dabit illi sedem David patris ejus”. – (Luc. I, 32). O Senhor restituirá a vosso Filho, ó Maria, o trono de David seu pai. Mas será preciso reconquistá-lo por meio do combate da humildade, da pobreza e do sofrimento.

III. Maria possui todas as grandezas sobrenaturais. A grandeza sobrenatural é o reflexo de Deus sobre uma criatura que Ele associa ao seu poder e à sua glória. Ora, o que faz Deus por Maria? Quis associá-lA ao seu grandioso e divino mistério; o Pai lhe dá o nome de filha, o Filho a venera como sua Mãe, e o Espírito Santo A protege como sua Esposa. Maria foi chamada a cooperar nas grandes obras da onipotência divina, e foi associada ao império do próprio Deus. Contemplai-A, pois, nesse belo dia de seu nascimento! Vede-A, como São João, revestida de Sol – “amicta sole”, provinda de Deus e resplandecente dos fulgores divinos; está, por assim dizer, invadida pelos raios da Divindade, semelhante a um cristal puríssimo penetrado completamente pelo Sol. E a Lua, sob os seus pés, significa que o seu poder é inabalável, que a Virgem Santíssima desafia a inconstância, tendo vencido, para sempre, o dragão infernal. Sua fronte está cingida por um diadema de doze estrelas que representam as graças e virtudes de todos os seus eleitos. Maria é como que o centro da criação; Jesus colocou em suas mãos todos os meios da Redenção; e os santos formam a sua coroa, porque todos são obras de seu amor e de seu patrocínio.

IV. Maria nasce com todas as grandezas pessoais. Fora enobrecida com os dons de Deus, mas isso não basta; ao nascer, ostenta a riqueza de méritos pessoais; possui tesouros infinitos de merecimentos adquiridos durante os nove meses de adoração silenciosa e ininterrupta no seio materno, onde, penetrada pela luz divina, se entregou inteiramente a Deus, consagrando-Lhe um amor de que não podemos fazer a menor idéia. Nasce, pois, com os tesouros que conquistou, e com as riquezas que agenciou. Oh! Se tivéssemos podido presenciar espiritualmente o nascimento de Maria, contemplar este Sol no momento em que surgiu no oceano do amor de Deus! Em sua inteligência, a mais pura luz; em seu coração, o mais ardente amor; em sua vontade, a mais completa dedicação; jamais criatura alguma teve igual nascimento.

Assim, no seu pequenino berço, é objeto das complacências da Santíssima Trindade e da admiração dos anjos! Quem é esta criatura privilegiada, perguntam eles entre si, rica de tantas virtudes e cumulada de tamanha glória desde o alvorecer da vida? Quae est ista?

E os demônios estremecem; vêem-nA adiantar-se para eles, forte como um exército em ordem de batalha; pressentem a humilhação da derrota de seu chefe, antevendo a guerra implacável que lhes fará essa recém-nascida: Sicut acies ordinata

O mundo, porém, rejubila. Vemos chegar nossa libertadora; seu nascimento nos anuncia o nascimento de nosso Salvador. Oh! Sim, alegremo-nos: “Nativitas tua gaudium annuntiavit universo mundo.” (Sacr. Liturg. In fest.)

E nós, adoradores, devemos nos regozijar porque Maria nos traz o nosso Pão da vida, e, desde esse dia, cumpre-nos saudá-lA como a aurora da Eucaristia, porque sabemos que é d’Ela que o Senhor há de tomar a substância do corpo e do sangue, que nos será dada em alimento no Mistério de Seu amor.

* * *

São Pedro de Verona e os maniqueus

Um rico e fervoroso católico do território de Milão costumava oferecer hospitalidade a São Pedro de Verona em suas viagens apostólicas. Certa noite, Pedro chega exausto de fadiga; seu amigo, sempre tão respeitoso e solícito, limita-se apenas a lhe abrir a porta. Como explicar semelhante transformação?… No correr da palestra, se desvenda o segredo. Um herege maniqueu, em visita ao bom hospedeiro, lhe exprobara a hospitalidade que oferecia ao “inimigo da verdade”. Vencido pela curiosidade, acompanhou o seu interlocutor à assembléia dos maniqueus. Uma senhora, refulgente de luz, apareceu sobre o altar, com o seu filho nos braços: “Meu filho, disse ela, estás vivendo no erro, a verdade está aqui e não com os católicos; é a própria Mãe de Jesus que assim te fala”. Convencido, o infeliz se tornara maniqueu.

“Ide avisar ao homem que vos falou, que eu também me tornarei maniqueu se ele me mostrar a Santa Virgem”, disse Pedro. O hoteleiro se apressou em dar a notícia ao seu novo amigo, que o recebeu com alegria. Pedro passou a noite em oração. Pela manhã, ao celebrar a Santa Missa, encerrou uma hóstia consagrada em um pequeno cibório portátil, que colocou respeitosamente sobre o peito. Assim limitado, dirigiu-se à assembléia dos maniqueus. O sectário que desempenhava o papel de médium fez aparecer sobre o altar a refulgente senhora, que lançou em rosto do visitante sua ignorância da verdade. Pedro, então, elevando a Hóstia santa, exclamou: “Se és verdadeiramente a Mãe de Deus, adora o teu Filho!” A estas palavras, o fantasma se desfez em nuvem de fumaça negra, deixando a sala impregnada de um mau cheiro horrível. O demônio fugira à vista do seu Senhor.

(Os Milagres históricos do Santíssimo Sacramento).

PRÁTICA – Oferecer a Deus pelas Mãos do Maria os frutos do Santo Sacrifício da Missa.

JACULATÓRIA – Nós vos saudamos, ó Maria, que nos trazeis, de tão longe, o nosso Pão de vida, a Divina Hóstia!

Sobre Débora Maria Cristina

email para contato: aformacaodamocacatolica@gmail.com

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