Namoro Santo à luz da Consagração à Imaculada

 

por Pe. Luiz Carlos Lodi

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Excertos da palestra “Modéstia, castidade e namoro à luz da Consagração à Imaculada” do Pe. Luiz Carlos Lodi *. O vídeo da palestra completa encontra-se no final do texto.
Transcrição e adaptação: Débora Maria Cristina

“É muito importante que os namorados se amem, mas o amor não tem nada a ver com contato físico. O amor não se prova com abraço, não se prova com beijo, não se prova pela relação sexual, os animais também fazem isso e eles não se amam. É importante que os namorados dêem provas de amor e peçam provas de amor. O amor se prova com três coisas: tempo, distância e sacrifício. Você me ama? Então vamos esperar. O verdadeiro amor sabe resistir ao tempo. Você me ama? Então vamos separar os nossos corpos, vamos namorar só no máximo dando as mãos. Por quê? Por que o amor sabe guardar a distância física para unir as almas! Você me ama? Então vamos nos sacrificar. Por quê? Por que o amor sabe abster-se de prazer por causa do outro! Isso é uma prova de amor! Se você pedir e se você oferecer essa prova, saiba que seu namoro será excelentemente santo! E saiba que nós não podemos fazer por menos, por que aqueles que começam a assim ver descobrem que nesta matéria não tem como estar no meio do caminho, ou você pratica a castidade de verdade ou de uma vez se entrega á fornicação…

Alguns jovens, ridículos, dizem: “padre isso aqui é bom, mas está muito difícil, eu acho que não dá para fazer exatamente como está aqui, não, namorar desse jeito, ninguém agüenta…” Então, eles propõem um jeitinho, ao invés de não beijar a gente vai beijar rapidinho, ou então a gente vai beijar encostando só os lábios, mas não a língua, mas qual a distância entre os lábios e a língua? Um milímetro? Ou então nós vamos beijar poucas vezes. Tudo isso é ridículo. Se vocês já foram em um posto de combustível, seja ele de gasolina ou álcool, vocês não viram e eu também nunca vi, algum tipo de placa escrito assim: “fume pouco, acenda faíscas em outro lugar, produza poucas centelhas”, ridículo, ou você não fuma ou você já joga logo fogo em cima da gasolina, ou você não produz nenhuma centelha ou então você causa logo a explosão! Com o fogo não se brinca! Com o instinto que Deus colocou em nós, mas que é explosivo como o fogo e que é incendiário como a gasolina nós não podemos brincar. Namorados que querem fazer isso eu digo, sejam coerentes, se vocês querem fazer isso entreguem-se de uma vez à fornicação, se não querem fornicar, tratem de namorar de maneira correta!

Quando os namorados perguntam ao padre: “até onde a gente pode ir sem cometer pecado?” Essa pergunta não se faz, porque é uma pergunta típica, não de filhos, mas de escravos, e não é de escravos por amor a Nossa Senhora, não, é de escravos por constrangimento, por coação, por que quem se escraviza voluntariamente a Ela, procura fazer o máximo que agrade a Ela, mas aquele que resolve fazer o que Deus manda obrigado, esse aí pergunta qual é a maneira melhor de não ir para o inferno sem obedecer totalmente a Deus. (…) Se o marido ama de fato a mulher ele poderia fazer a seguinte pergunta: o que eu poso fazer para agradar a minha esposa ao máximo? Assim também namorados que descobrem o óbvio: que certos atos são intrinsecamente excitantes e que são pecado mortal, entre eles o beijo na boca, em organismos normais ele causa excitação, e a excitação nada mais é do que uma preparação para o ato sexual que os dois não vão poder praticar por que eles são solteiros e o corpo de um não pertence ao outro, então eles estão se preparando para algo que eles não vão poder completar, isso é um absurdo, é um contra senso. Os namorados descobrem que não podem se beijar, não podem dar abraços agarrados, por que existem certos abraços que também são intrinsecamente excitantes, mas eles perguntam: “então o que a gente pode fazer? Até que ponto a gente pode se encostar?” Essa pergunta não se faz, a pergunta que um filho deveria fazer, ou a pergunta de um escravo por amor a Maria é: “padre, de que maneira eu deveria namorar para agradar a Deus ao máximo?” Essa é uma pergunta boa.

Eu nunca namorei, quando eu tinha a idade de vocês ou antes, já sabia que minha vocação era para o sacerdócio, logo eu não ia namorar para me preparar para um matrimônio que nunca ocorreria, seria um contra senso. Mas, se a minha vocação tivesse sido matrimonial o respeito que eu teria por aquela que seria a rainha do meu lar, a mãe dos meus filhos seria tão grande que até certas coisas que não são pecado, eu evitaria, querem um exemplo? Vocês acham que passar o braço pelo ombro da namorada ou do namorado é pecado? Eu acho que não, mas eu não faria. Por quê? Por que com esse gesto eu teria uma falsa idéia, pois esse gesto dá uma idéia de posse, eu seria induzido a crer falsamente que este corpo me pertence, mas ele não me pertence eu sou solteiro.

Além disso, ao segurar o corpo dela assim, eu me esqueceria de que este corpo é sagrado. Por que quem me viu celebrar a Santa Missa, ou quem viu padre João Paulo segurar o Santíssimo Sacramento, nunca viu nenhum de nós segurar assim o Santíssimo Sacramento, a gente segura o Santíssimo com as duas mãos e tremendo, por que sabe que está diante de alguma coisa sagrada, então se a minha vocação tivesse sido para o matrimônio, ao namorar eu me absteria até disso. E eu acho que os namorados não precisam de muita coisa, bastaria no máximo dar as mãos. Por que o namoro existe para conhecer, não o corpo, mas a alma do outro. O namoro existe para doar não o meu corpo, mas a minha alma ao outro. Ora se é para conhecer a alma, se é para doar a alma, deixem os corpos bem longe, por que eles não costumam ajudar. No conhecimento espiritual é muito importante a distância, por que a proximidade física faz com que as paixões comecem a gritar e naquela gritaria da paixão a alma fica surda e muda e os dois não conseguem enxergar um no outro a não ser um pedaço de carne para ser desfrutado e depois jogado fora.

Como seria bom se a gente pudesse ter namorados assim e em grande quantidade para dar exemplo, isso é necessário, mas é necessário também que os dois ao namorar escolham lugares iluminados, por que? Por que eles são filhos da luz, eles não são da noite nem das trevas, quando foram batizados uma vela foi acesa no círio pascal. Namorados cristãos devem evitar lugares escuros, exemplo: cinema. Mesmo que o filme seja maravilhosamente bom, mesmo que você ache que não tem nada demais, mas o cinema é um lugar escuro e um lugar escuro pode ser propício para você fazer aquilo que nunca faria. “Padre, mas eu sou forte”, você não é forte, como diz a Madre Maria Helena Cavalcanti, fundadora e superiora das Irmãs de Belém: “nas tentações não há fortes nem fracos, há prudentes e imprudentes, os prudentes fogem e reconhecem a sua fraqueza, os imprudentes vão ao encontro do perigo dizendo: ‘eu vou vencer’ e caem”. Namorados que são prudentes não apenas aceitam a advertência dos pais como agradecem “pai, obrigado por o senhor ter me ajudado, você já passou pela minha idade e sabe quais os perigos eu estou enfrentando, e eu não percebi que eu estava me expondo a uma ocasião próxima de pecado,obrigado” a filha vai dizer “mãe obrigada, por a senhora ter me advertido para que eu evitasse más companhias, para que eu chegasse cedo em casa, porque eu sei que eu sou fraca, e a senhora mais experiente do que eu conhece a minha fraqueza melhor do que eu mesma”. Isso é bonito, ver os jovens que ao invés de ter aqueles conflitos de gerações, agradecem aos pais por causa dos conselhos que eles podem dar, por que eles tem a graça de… e por que eles tem a experiência que vem da idade e da sabedoria…

Namorados não podem ficar sozinhos, alguns parecem que não entendem, quando chega no confessionário uma moça ou um rapaz dizendo que cometeu o pecado da fornicação, fornicação vocês sabem é a união sexual entre dois solteiros, se um dos dois for casado o pecado se chama adultério. Mas, quando contam do pecado da fornicação para o padre, em geral essa pessoa esqueceu-se de contar outro pecado anterior: o de ficar sozinho com a namorada ou namorado, “mas padre só de ficar sozinho já é pecado?”, sim, expor-se a uma ocasião próxima de pecado, já é pecado, se, além disso, você vai consumar o pecado, já é outro pecado. Um exemplo: suponhamos que dois namorados tenham ficado dentro de um automóvel durante uma hora, eles nem se encostaram, tanto um como o outro já devem se confessar, pois brincou com a castidade, Deus não permitiu que se chegasse até a consumação carnal do pecado, mas foi uma leviandade. Namorados tem que ter obrigatoriamente a presença de uma terceira pessoa, se faltar essa terceira pessoa tem-se que se despedir, namorados não tem nada para esconder, são filhos da Luz, eles estão de tal forma límpidos que não tem segredos, os outros não precisam ouvir o que eles falam, mas podem ver tudo que eles fazem, assim é que deveria ser o verdadeiro namoro cristão.

O namoro cristão deveria não durar muito tempo, por quê? Não é incomum que os jovens venham dizer para o padre: “olha, a gente quando começou a namorar um namoro santo, mas depois começamos a relaxar na vigilância e acabamos cometendo pecados graves”, para nós padres não é comum ouvir isso, nenhum jovem deveria ter pressa de começar a namorar, deixa para namorar só quando você estiver bem próximo de se casar, por que o namoro existe para isso, não é brincadeira, e quando você começar a namorar além de todos esses cuidados que eu estou falando, cuide para que esse namoro não dure muito tempo, que entre o seu namoro e o casamento que o tempo seja pequeno, “mas padre eu acho que não dá, por que meu namorado só vai se formar daqui a 5 anos (puxa vida) e só depois que a gente vai tentar comprar uma casa”, então espera, isso daí está muito longe, seu plano para o casamento, a gente não deve ficar pensando no casamento que ta tão distante assim, parece que se perde no horizonte.

Vocês perceberam o que eu estou falando? Entenderam que seguir isso é ser diferente? É receber chacota dos outros? Escárnio? Vão dizer: “vocês são doidos”. Mas nós não somos os primeiros, trataram assim Nosso Senhor, colocaram Nele uma coroa de espinhos, colocaram uma túnica branca para dizer que Ele era maluco! E a nossa resposta é: eu sou louco, mas sou louco com Ele, eu sou agora escarnecido, meu Mestre foi primeiro, eu sou agora excluído e jogado fora, Ele também foi jogado fora da cidade de Jerusalém e lá foi Crucificado. Mas uma coisa que o mundo não sabe dar e que você praticando a castidade vai receber é a alegria, por que a alegria da pureza é imensamente maior do que o prazer da impureza. Se aqueles que procuram o prazer na impureza soubessem como a castidade traz alegria, eles desejariam ser castos nem que fosse por egoísmo. E eu convido vocês a experimentarem isso. Por que logo que depois que alguém cometer o pecado contra a castidade, aquele prazer todo se converte em amargor, um gosto desagradável. Se você, porém pratica a castidade você tem uma alegria que não passa, ela permanece para sempre ela te traz uma paz. E depois ela vai se converter em glória, na Felicidade Eterna! Se alguém zomba de você ser casto, saiba que é o fraco que está zombando do forte, que é o derrotado que está zombando do vencedor. É por que ele não consegue fazer o que você faz que ele está zombando de você. Mas você não tem que sentir vergonha de ser casto, por que Jesus foi casto, Maria Santíssima, São José, São João Batista, São João Evangelista, São Paulo, eles nos ensinaram a virtude da castidade por que ela é maravilhosa, estamos seguindo os passos deles.

Nem todos são chamados para o matrimônio, eu, por exemplo, não fui, e você ao invés de perguntar “com quem eu vou me casar?” pergunte primeiro: “meu Deus, a minha vocação é essa?” Pode ser que sim, mas se não for, quem sabe Deus tenha escolhido a mim para algo superior ao matrimônio: para a vida sacerdotal ou religiosa. Mas se a minha vocação for para o matrimônio, eu não tenho que fabricar a minha esposa nem o meu esposo, se a minha vocação é matrimonial, a pessoa que Deus escolheu, já existe, o que eu tenho que fazer é pedir a Ele que me mostre “mostra-me Senhor, quem Tu escolheste para estar ao meu lado todos os dias da minha vida”, se não sou eu quem irei fabricar essa pessoa, eu não vou ficar apavorado e angustiado, eu vou apenas pedir a Deus que Ele me revele aquilo que Ele já sabe, e isso faz com que eu não fique com aquela neurose que alguns jovens tem: “o tempo está passando, eu estou passando da idade de me casar, não vou encontrar ninguém, socorro…” calma! Primeiro por que você não sabe se esta é a sua vocação, mas se for Deus já tem essa pessoa, Ele já escolheu desde toda eternidade.

* Pe. Luiz Carlos Lodi é presidente do Movimento Pró-Vida de Anápolis-GO que tem a finalidade de promover a dignidade e a inviolabilidade da vida humana e da família e defender tais valores contra os atentados de particulares ou dos poderes públicos. Acesse http://www.providaanapolis.org.br/

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Sobre Débora Maria Cristina

email para contato: aformacaodamocacatolica@gmail.com

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